O Globo
Charge Chico
- Calma, Fernando Henrique, já passou...
Tasso acha legal pagar jatinho com verba oficial
Da verba do Senado destinada a passagens aéreas, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) gastou R$ 469 mil para fretar jatinhos. Para ele, não há ilegalidade. Outros três senadores fizeram o mesmo. (págs. 1 e 8)
Bancada dos 'brazucas' gera polêmica
A aprovação da emenda criando a bancada dos deputados que vivem na exterior gerou polêmica no Congresso. Senadores já admitem recuar. Para especialistas, aldeia não elimina a distorção no tamanho das bancadas. (págs. 1, 3 e editorial "Tarefa verdadeira")
Editorial: Tarefa verdadeira
Seria apenas bizarro se já não tivesse sido aprovado em primeiro turno o projeto de emenda constitucional do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) de criação de uma bancada de quatro a sete deputados a serem eleitos por brasileiros residentes no exterior — como se houvesse problema de sub-representação no parlamento brasileiro. Ao contrário, os 513 deputados são um número excessivo, e os gastos com o custeio do Congresso se tornaram gigantescos. Com esta “legião estrangeira”, aumentarão.
No Senado, são 10 mil funcionários para 81 parlamentares, ao custo de R$ 2,3 bilhões. Entre eles, 181 diretores — vários destituídos depois da revelação da excrescência. (págs. 1 e 6)
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Folha de S. Paulo
Tasso diz que foi transparente ao fretar jatos com verba do Senado
Em discurso de quase três horas da tribuna do Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que agiu de maneira "transparente" ao fretar jatinhos com sobras de sua cota de passagens aéreas e que isso é comum entre os parlamentares. Prometeu devolver em dobro os gastos com aviões caso sejam identificadas irregularidades. (págs. 1 e A8)
Editorial: Castelo de areia
Cronicamente suspeita, teia de relações entre empreiteiras e políticos demanda controles mais eficazes e transparentes
O nome da última operação da Polícia Federal - Castelo de Areia - talvez involuntariamente sugira à opinião pública o que se pode esperar de seu futuro assim que recuar a vaga de escândalo mobilizada nestes dias.
Líderes oposicionistas protestam diante do que consideraram uma evidente manipulação partidária no vazamento das informações relativas ao caso.
A suspeita de que senadores do DEM e do PSDB teriam se beneficiado de doações ilegais da empreiteira Camargo Corrêa foi divulgada sem comprovação. Não teve outro efeito a não ser a pronta exibição, pelos acusados, de recibos que atestariam a regularidade da contribuição.
A oposição estranha, além disso, o fato de que o PT terminou excluído da lista original dos partidos supostamente contemplados com donativos ilegais. (págs. 1 e A2)
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O Estado de S. Paulo
Editorial: O calote dos precatórios
Empilhem-se os maiores escândalos da safra deste começo de ano no Congresso Nacional. O do deputado-corregedor que escondia ser dono de um castelo de R$ 25 milhões e transferia dinheiro da Câmara para suas próprias firmas; o do diretor-geral da Casa que omitiu residir numa mansão em Brasília; o dos R$ 6,2 milhões pagos a 3.800 funcionários por horas extras em pleno recesso parlamentar; o da legião de diretores, secretários e subsecretários de quase nada ou coisa nenhuma; o da farra com as passagens aéreas compradas com verba oficial; o do envio de servidores a dois Estados para campanha política e proteção de propriedades do presidente do Senado? Pois bem: a pilha será pequena perto da escandalosa legislação que instituirá, para todos os efeitos práticos, o calote das dívidas atrasadas de Estados e municípios com empresas e pessoas físicas, decorrentes de sentenças judiciais definitivas - os malfadados precatórios. (págs. A3)
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Jornal do Brasil
Tarso Genro e diretor da PF explicam-se no Senado
O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, explicaria, no Senado, porque a Operação Castelo de Areia omitiu partidos do governo que receberam contribuições da Camargo Corrêa. (págs. 1 e A10)
Sociedade aberta: José Sarney: O amigo e o democrata
Sou tomado nesse momento por um duplo sentimento de perda: a do amigo e a do homem de Estado. Raúl Alfonsín foi, sem dúvida, uma das maiores figuras humanas que conheci, e foi também o homem que abriu, com sua coragem, a integração latino-americana.
Tudo que fizemos para inverter o processo histórico de hostilidade entre Brasil e Argentina, transformando-o num processo de integração, não teria sido possível sem Alfonsín. Ele tinha a visão continental, a firmeza de convicção e a grandeza política para dar os passos decisivos.
Ele havia assumido a Presidência da Argentina pouco antes de o destino me colocar na Presidência do Brasil. (págs. 1 e A9)
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Correio Braziliense
Crise sem fim: Dossiê dos telefones derruba diretor do Senado
Responsável pela Secretaria de Telecomunicações, Carlos Roberto Muniz foi exonerado do cargo pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI). Motivo: o assessor fez um levantamento detalhado das contas telefônicas dos aparelhos funcionais de cada um dos 81 senadores, inclusive do próprio Heráclito. (págs. 1 e 3)
Editorial: Precatórios: calote, não!
Já aprovada no senado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) número 12/2006, que institui o regime especial de pagamento de precatórios, se encontra em processo de deliberação final na Câmara dos Deputados. Trata-se de iniciativa correspondente a conceder à União, Distrito Federal e Municípios franquias atentatórias, direitos inalienáveis de cidadãos e empresas. Conforme a redação dada ao artigo 95 do Ato das Disposições Constitucionais transitórias (ADCT), fixam-se em percentuais mínimos os recursos que deverão ser reservados pelo poder público para honrar dívidas reconhecidas pela Justiça. (págs. 1 e 18)
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Editorial: Diretores, extras, jatinhos e o farto clube dos senadores
Se o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, qualifica as relações entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal como "lítero-poético-recreativas", como pode então um cidadão comum designar a íntima convivência dos senadores com o Senado? Um clube lítero-poético? Ou um clube político-recreativo? Independente do nome que se dê às relações demasiado estreitas entre os bolsos dos senadores e o Orçamento do Senado, é certo, todavia, que a casa é a bola da vez: os usos e costumes dos senadores, que sempre conviveram em paz sob a proteção de sucessivas mesas diretoras, independentemente da coloração partidária, ganham as páginas dos jornais. E, de repente, os nobres senadores se deparam com a dura realidade: os hábitos sociais do clube do Senado não são propriamente éticos ou convenientes, e sequer facilmente aceitos pela sociedade que financia essas regras de excessiva cordialidade, quando se trata de dividir os benefícios da instituição. (pág. 14)
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Gazeta Mercantil
Delegado Protógenes mais perto da política (págs. 1 e A10)
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Estado de Minas
Câmara não julga acusado de corrupção
Processo no Conselho de Ética contra João Magalhães (PMDB/MG), apontado como líder de esquema de venda de emendas, está parado há um ano. (págs. 1 e 3)
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Jornal do Commercio
Editorial: Relações promíscuas
Mais uma vez se evidenciam as relações de promiscuidade reinantes entre políticos, partidos e empreiteiras de obras públicas, graças a ação da Polícia Federal (PF) contra diretores e funcionários da Construtora Camargo Corrêa, que são acusados de superfaturamento, lavagem de dinheiro, remessas ilegais ao exterior, desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, fraude em licitações e contribuições irregulares a políticos de diversos partidos, num montante que pode ultrapassar R$ 500 milhões. Há muito se sabe que essas relações são suspeitas e vão continuar existindo enquanto perdurarem entre nós a ilegalidade consensual e a impunidade. Para não ter prejuízo e continuar atraindo bondades públicas e partidárias, empresas que vencem concorrências (geralmente um grupo privilegiado e inamovível) só veem um caminho, que é superfaturar as custas dos trabalhos. Daí os invariáveis reajustes nos valores das concorrências, pois não existe almoço de graça, alguém paga. No caso, nós contribuintes.
No caso ora investigado na Operação Castelo de Areia, várias outras irregularidades estão sendo constatadas em relação doleiros, seus clientes e operações financeiras fraudulentas e lesivas aos cofres públicos. A Camargo Corrêa também participa do consórcio que constrói a ampliação do Metrô de São Paulo, com custos constantemente reajustados, que foi responsabilizado pela tragédia ocorrida na linha de Pinheiros. (pág. 2)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
PMN e Pedrossian entram na briga a favor dos aposentados
Um bloco de representantes do PMN no estado, formado por seus dirigentes estaduais e o ex-governador Pedro Pedrossian, encaminhará, esta semana, aos deputados federais do partido, em Brasília, um ofício cobrando dos seus congressistas voto favorável dos mesmos aos projetos que tramitam na Câmara dos Deputados em favor dos aposentados e pensionistas, que têm por objetivo recuperar o poder aquisitivo dos benefícios defasados ao longo dos últimos 13 anos.
Os projetos de lei, de autoria do senador Paulo Paim (PT/ RS), já foram aprovados pelo Senado e agora tramitam na Câmara dos Deputados aguardando para serem votados.
Um dos projetos (PLS 58/03) prevê a recuperação dos benefícios com base no número de salários mínimos que os aposentados recebiam no momento da concessão da aposentadoria. Essa proposta esta na Câmara Federal como Projeta de Lei – PL número 4434/08.
Outra saída, para a recuperação dos valores dos salários dos aposentados, seria a aprovação da emenda PLC 42/07, também de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), que estende aos pensionistas e aposentados a mesma política de reajuste concedida ao salário mínimo, ou seja, os índices do PIB nacional mais a correção da inflação.
Tal projeto tramita na Câmara dos Deputados sob o número PL – Projeto de Lei 01/2007, que será analisado pelo plenário nós próximos meses.
Com a aplicação destes dois projetos de Lei, os pensionistas e aposentados teriam uma condição de rendimentos a qual não permitiria a perda dos seus salários, é uma forma mais justa e eficiente para que menos brasileiros sofram com o apertado estado de crise que afeta o país.
“Eu sei o quanto o aposentado sofre com o descaso do governo federal, não é nada justo o que vem sendo praticado contra quem já doou sua vida por esse país, hoje mesmo entrarei em contato com nossos deputados federais do PMN para que eles sejam os primeiros a tomar frente pela aprovação desses projetos de lei”, declarou o ex-governador Pedro Pedrossian.
O PMN vai cobrar o voto dos seus deputados federais inclusive encaminhando solicitação o presidente nacional da legenda, professor Oscar Noronha Filho, e para a secretária geral, Dra. Telma Ribeiro dos Santos.
A defasagem
Nos últimos 13 anos, houve uma defasagem de 84,14% sobre os valores das aposentadorias de quem ganha acima do salário mínimo. No período de 1995 a 2008, os cerca de 16 milhões de pensionistas e aposentados que recebem salário mínimo ganharam um reajuste de mais de 100% acima da inflação, enquanto que os que ganham acima de um salário mínimo receberam um reajuste de apenas 20,06% acima da variação inflacionária.
Assim, quem se aposentou em 1995 com um salário proporcional a nove salários mínimos, cerca de R$ 900,00 (salário mínimo em 95 era de R$ 100,00), hoje, mesmo com reajustes concedidos pelo governo federal, ganha um pouco mais de dois salários mínimos.
“Esta política previdenciária brasileira tem que ser revista urgentemente, pois como está quem mais contribuiu, em valores reais, é quem mais vem perdendo”, destacou o presidente regional do PMN, Adalton Garcia de Freitas.
Prejudicados por esta defasagem nos valores de suas aposentadorias encontram-se hoje cerca de 8 milhões de aposentados e pensionistas
Os projetos de lei, de autoria do senador Paulo Paim (PT/ RS), já foram aprovados pelo Senado e agora tramitam na Câmara dos Deputados aguardando para serem votados.
Um dos projetos (PLS 58/03) prevê a recuperação dos benefícios com base no número de salários mínimos que os aposentados recebiam no momento da concessão da aposentadoria. Essa proposta esta na Câmara Federal como Projeta de Lei – PL número 4434/08.
Outra saída, para a recuperação dos valores dos salários dos aposentados, seria a aprovação da emenda PLC 42/07, também de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), que estende aos pensionistas e aposentados a mesma política de reajuste concedida ao salário mínimo, ou seja, os índices do PIB nacional mais a correção da inflação.
Tal projeto tramita na Câmara dos Deputados sob o número PL – Projeto de Lei 01/2007, que será analisado pelo plenário nós próximos meses.
Com a aplicação destes dois projetos de Lei, os pensionistas e aposentados teriam uma condição de rendimentos a qual não permitiria a perda dos seus salários, é uma forma mais justa e eficiente para que menos brasileiros sofram com o apertado estado de crise que afeta o país.
“Eu sei o quanto o aposentado sofre com o descaso do governo federal, não é nada justo o que vem sendo praticado contra quem já doou sua vida por esse país, hoje mesmo entrarei em contato com nossos deputados federais do PMN para que eles sejam os primeiros a tomar frente pela aprovação desses projetos de lei”, declarou o ex-governador Pedro Pedrossian.
O PMN vai cobrar o voto dos seus deputados federais inclusive encaminhando solicitação o presidente nacional da legenda, professor Oscar Noronha Filho, e para a secretária geral, Dra. Telma Ribeiro dos Santos.
A defasagem
Nos últimos 13 anos, houve uma defasagem de 84,14% sobre os valores das aposentadorias de quem ganha acima do salário mínimo. No período de 1995 a 2008, os cerca de 16 milhões de pensionistas e aposentados que recebem salário mínimo ganharam um reajuste de mais de 100% acima da inflação, enquanto que os que ganham acima de um salário mínimo receberam um reajuste de apenas 20,06% acima da variação inflacionária.
Assim, quem se aposentou em 1995 com um salário proporcional a nove salários mínimos, cerca de R$ 900,00 (salário mínimo em 95 era de R$ 100,00), hoje, mesmo com reajustes concedidos pelo governo federal, ganha um pouco mais de dois salários mínimos.
“Esta política previdenciária brasileira tem que ser revista urgentemente, pois como está quem mais contribuiu, em valores reais, é quem mais vem perdendo”, destacou o presidente regional do PMN, Adalton Garcia de Freitas.
Prejudicados por esta defasagem nos valores de suas aposentadorias encontram-se hoje cerca de 8 milhões de aposentados e pensionistas
terça-feira, 31 de março de 2009
A Fábula dos Porcos Assados (Qualquer semelhança é mera coincidência) - Enviada por Jorge Grillo
O texto original deste trabalho, em espanhol, circulou entre os alunos do curso de
pós-graduação da Universidade de Piracicaba em 1981. A sutileza com que o autor
satiriza um dos problemas de nossos tempos fez com que imediatamente o texto
chamasse a atenção de alunos e professores, convertendo-se em tema de conversas e
debates. Aos leitores, a Fábula dos Porcos Assados:
Uma das possíveis variações de uma velha história sobre a origem do assado é a seguinte: Certa
vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os
homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A
partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque... até que descobriram
um novo método.
Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um
novo. Fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: às vezes os animais ficavam queimados demais
ou parciamente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas
ocasionadas eram muito grandes - milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também
milhões os que se ocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia
falhar. Mas, curiosamente, quando mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto
maiores eram as perdas causadas.
Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a
necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, seminários, conferências passaram a
ser realizados anualmente para buscar uma solução. Mas parece que não acertavam o nelhoramento do
mecanismo. Assim, no ano seguinte repetiam-se os congressos, seminários, conferências.
As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos
porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de
controlar, ou ainda às árvores, excesivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de
informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas...
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era
muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados
exclusivamente a acender o fogo - incendiadores que eram também especializados (incediadores da
Zona Norte, da Zona Oeste, etc., incendiadores noturnos e diurnos - com especialização e matutino e
vespertino - incendiador de verão, de inverno, etc.). Havia especialista também em ventos - os
anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas
Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma
Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas
Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.
Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de
acordo com as mais recentes técnicas de implantação - utilizando-se regiões de baixa umidade e onde
os ventos não soprariam mais que três horas seguidas.
Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados.
Havia espacialistas entrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais
potente, etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos
para deixá-los sair apenas no momento oportuno.
Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores
trabalhavam para as universidades para que os professores especializados na construção das
instalações para porcos; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as iniversidades
que preparavem os professores especializados na cosntrução das instalações para porcos, etc.
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois
de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio
da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direção oposta à do vento, de forma
a direcionar o fogo, etc. Não é preciso dizer que os poucos especialistas estavem de acordo entre si, e
que cada um embasava suas idéias em dados e pesquisas específicos.
Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado
em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso,
resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco
escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação
metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.
Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou
chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouví-lo pacientemente, disse-lhe:
Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria,
por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? Onde seria
empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?
Não sei - disse João.
E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para
porcos, com suas máquinas purificadores automáticas de ar?
Não sei.
E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto
dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano
após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua
solução resolver tudo? Heim?
Não sei - repetiu João encabulado.
O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O
senhor não vê, que , se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a
solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que eu não posso
simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas,
sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros e quilômetros de bosques já
preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me.
Não sei, não senhor.
Diga-me, nossos três engenheiros em Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam
personalidades científicas do mais extraordinário valor?
Sim, parece que sim.
Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que
nosos sistema é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país?
Não sei.
Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos - por exemplo, como
melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de
Oeste (nossa maior carência), como contruir instalações para porcos com mais de sete andares.
Temos que melhorar o sistema, e não transformá-lo radicalmente, o senhor, entende? Ao senhor,
falta-lhe sensatez!
Realmente, eu estou perplexo! - respondeu João.
Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode
resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre
nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o
senhor no seu cargo. Não por mim, o senhor rntende. Eu falo isso para o seu próprio bem, porque
eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode
encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo?
João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "A". Sem despedir-se, meio atordoado, meio
assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém
nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos, que
falta o Bom-Senso.
pós-graduação da Universidade de Piracicaba em 1981. A sutileza com que o autor
satiriza um dos problemas de nossos tempos fez com que imediatamente o texto
chamasse a atenção de alunos e professores, convertendo-se em tema de conversas e
debates. Aos leitores, a Fábula dos Porcos Assados:
Uma das possíveis variações de uma velha história sobre a origem do assado é a seguinte: Certa
vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os
homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A
partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque... até que descobriram
um novo método.
Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um
novo. Fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: às vezes os animais ficavam queimados demais
ou parciamente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas
ocasionadas eram muito grandes - milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também
milhões os que se ocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia
falhar. Mas, curiosamente, quando mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto
maiores eram as perdas causadas.
Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a
necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, seminários, conferências passaram a
ser realizados anualmente para buscar uma solução. Mas parece que não acertavam o nelhoramento do
mecanismo. Assim, no ano seguinte repetiam-se os congressos, seminários, conferências.
As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos
porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de
controlar, ou ainda às árvores, excesivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de
informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas...
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era
muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados
exclusivamente a acender o fogo - incendiadores que eram também especializados (incediadores da
Zona Norte, da Zona Oeste, etc., incendiadores noturnos e diurnos - com especialização e matutino e
vespertino - incendiador de verão, de inverno, etc.). Havia especialista também em ventos - os
anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas
Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma
Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas
Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.
Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de
acordo com as mais recentes técnicas de implantação - utilizando-se regiões de baixa umidade e onde
os ventos não soprariam mais que três horas seguidas.
Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados.
Havia espacialistas entrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais
potente, etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos
para deixá-los sair apenas no momento oportuno.
Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores
trabalhavam para as universidades para que os professores especializados na construção das
instalações para porcos; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as iniversidades
que preparavem os professores especializados na cosntrução das instalações para porcos, etc.
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois
de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio
da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direção oposta à do vento, de forma
a direcionar o fogo, etc. Não é preciso dizer que os poucos especialistas estavem de acordo entre si, e
que cada um embasava suas idéias em dados e pesquisas específicos.
Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado
em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso,
resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco
escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação
metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.
Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou
chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouví-lo pacientemente, disse-lhe:
Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria,
por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? Onde seria
empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?
Não sei - disse João.
E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para
porcos, com suas máquinas purificadores automáticas de ar?
Não sei.
E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto
dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano
após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua
solução resolver tudo? Heim?
Não sei - repetiu João encabulado.
O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O
senhor não vê, que , se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a
solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que eu não posso
simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas,
sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros e quilômetros de bosques já
preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me.
Não sei, não senhor.
Diga-me, nossos três engenheiros em Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam
personalidades científicas do mais extraordinário valor?
Sim, parece que sim.
Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que
nosos sistema é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país?
Não sei.
Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos - por exemplo, como
melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de
Oeste (nossa maior carência), como contruir instalações para porcos com mais de sete andares.
Temos que melhorar o sistema, e não transformá-lo radicalmente, o senhor, entende? Ao senhor,
falta-lhe sensatez!
Realmente, eu estou perplexo! - respondeu João.
Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode
resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre
nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o
senhor no seu cargo. Não por mim, o senhor rntende. Eu falo isso para o seu próprio bem, porque
eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode
encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo?
João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "A". Sem despedir-se, meio atordoado, meio
assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém
nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos, que
falta o Bom-Senso.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sem fiscalização, congressistas têm direito a até 1 bilhete aéreo por dia
Congressistas podem gastar até R$ 33 mil com passagens
Verba permite compra de mais de 30 bilhetes ida e volta por mês de Brasília a Estados
54 congressistas têm cota adicional de até R$ 13 mil; em 2008, Câmara gastou R$ 80 mi com passagens; Senado não revela valor
RANIER BRAGON
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio a muito sigilo, desvio de finalidade e suspeita de irregularidade, o Congresso Nacional destina mensalmente aos 594 deputados federais e senadores uma cota para compra de passagens aéreas que, em alguns casos, permite a aquisição todo mês de mais de 30 bilhetes de ida e volta entre Brasília e o Estado de origem.
Criada originalmente para permitir ao congressista quatro deslocamentos mensais ao Estado, a cota aérea é paga conforme o Estado do parlamentar e se ele ocupa ou não posto de destaque nas duas Casas. Na atual legislatura, o valor varia de R$ 4.700 a R$ 33 mil.
Em 2008, a Câmara desembolsou R$ 80 milhões sob essa rubrica. O Senado, bombardeado nas últimas semanas por denúncias de mau uso dessa e de outras verbas de apoio ao trabalho parlamentar, se recusou a fornecer o dado à Folha.
Ao longo da semana passada, a Folha coletou informações nos gabinetes das duas Casas e apurou que a cota é alvo de desvirtuamento, como a distribuição de passagens a eleitores.
Na Câmara, a verba fixa varia de R$ 4.700 a R$ 18,7 mil. No Senado, de R$ 13 mil a R$ 25 mil. As duas Casas remuneram os parlamentares do Distrito Federal -que não precisam voar para suas bases.
Além disso, um grupo de 54 congressistas -integrantes da Mesa, seus suplentes e os líderes partidários- tem direito a um repasse adicional, que pode chegar a R$ 13 mil.
Neste grupo está o senador Adelmir Santana (DEM-DF), suplente da Mesa do Senado. Apesar de morar em Brasília, recebe a cota aérea. "Não usarei, a não ser que aconteça alguma coisa inusitada."
Tarifas
A Folha consultou as tarifas médias das principais companhias aéreas do país, TAM e Gol, usando como critério valores médios da tarifa para compra com um dia de antecedência, e constatou que, em média, os deputados conseguiriam adquirir 13 passagens ida e volta/ mês, e os senadores, 17.
No caso de Goiás, por exemplo, a cota da Câmara (R$ 9.172) permite a compra de 25 passagens pela tarifa média de R$ 368 (ida e volta). Por serem líderes de bancada, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Sandro Mabel (PR-GO) têm direito a adicional de R$ 4.700. Poderiam comprar até 38 passagens de ida e volta/mês, pela tarifa média, não promocional.
Os três senadores do Piauí, todos eles integrantes da Mesa do Senado, têm direito cada um a cerca de R$ 28 mil, o que equivale a 27 passagens de ida e volta entre Teresina e Brasília.
"Não sei nem de quanto é essa cota. Sei que existe, mas não sei exatamente quanto é. Só sei que, se tiver necessidade, eu vou usar, mas até agora não precisei", afirmou Marcelo Ortiz (PV-SP), que, por ser suplente da Mesa Diretora da Câmara, tem à disposição um acréscimo mensal de R$ 4.700 à sua cota de R$ 10,6 mil.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tem cota de R$ 23,7 mil (abriu mão dela desde fevereiro, pois lhe é permitido o uso de avião da Força Aérea Brasileira). José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, tem R$ 33 mil.
Além do alto valor, a Folha constatou que não há fiscalização sobre o uso da verba. O congressista emite a passagem no nome de quem quiser e não precisa prestar contas. "O controle é do parlamentar", confirmou Odair Cunha (PT-MG), terceiro-secretário da Câmara, responsável pela administração da cota dos deputados.
Questionadas pela Folha, as duas Casas afirmam estudar mudanças no sistema de controle. O Senado tende a formalizar a permissão para doação de passagens. Na Câmara, a diretoria geral fala em combater a comercialização da verba. "Tem procedimento no Ministério Público federal que aponta nesse sentido", disse Cunha.
Supremo
O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa desde 2008 a suspeita de que três deputados federais usavam uma agência de viagens de Maringá para vender suas passagens. O caso corre sob segredo de Justiça, no gabinete do ministro Cezar Peluso, e o único acusado que ainda permanece com o mandato é Luiz Bittencourt (PMDB-GO).
Também é comum que deputados e senadores distribuam bilhetes. "É normalíssimo isso. Um doente, por exemplo, que tem que sair do Pará para se tratar aqui em Brasília pede a passagem. Aqui e acolá, e ele é atendido", disse o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA).
"É a nossa cota de economia para ajudar à sociedade", afirma Nazareno Fonteles (PT-PI), que ajudou uma professora do Piauí que precisava ir ao Rio Grande do Sul por causa de sua tese de doutorado. "Não é um benefício só para ela, mas para a universidade pública."
Odair Cunha não concorda com essa prática: "Não compreendo isso como atividade parlamentar". O Ministério Público do DF também investiga o uso da cota pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) para levar conhecidos de São Luís para Brasília. O Senado diz que nada a impede de fazer isso. Ela só não poderia sortear ou vender os bilhetes.
O ato que regula a verba no Senado, de 1988, prevê como parâmetro de cálculo quatro passagens ida e volta ao Estado de origem, uma passando pelo Rio de Janeiro, e uma última de ida e volta ao Rio.
A única explicação para a inclusão obrigatória do Rio é o fato de a cidade ter sido a capital do país a 49 anos atrás.
Texto Anterior: Painel
Verba permite compra de mais de 30 bilhetes ida e volta por mês de Brasília a Estados
54 congressistas têm cota adicional de até R$ 13 mil; em 2008, Câmara gastou R$ 80 mi com passagens; Senado não revela valor
RANIER BRAGON
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio a muito sigilo, desvio de finalidade e suspeita de irregularidade, o Congresso Nacional destina mensalmente aos 594 deputados federais e senadores uma cota para compra de passagens aéreas que, em alguns casos, permite a aquisição todo mês de mais de 30 bilhetes de ida e volta entre Brasília e o Estado de origem.
Criada originalmente para permitir ao congressista quatro deslocamentos mensais ao Estado, a cota aérea é paga conforme o Estado do parlamentar e se ele ocupa ou não posto de destaque nas duas Casas. Na atual legislatura, o valor varia de R$ 4.700 a R$ 33 mil.
Em 2008, a Câmara desembolsou R$ 80 milhões sob essa rubrica. O Senado, bombardeado nas últimas semanas por denúncias de mau uso dessa e de outras verbas de apoio ao trabalho parlamentar, se recusou a fornecer o dado à Folha.
Ao longo da semana passada, a Folha coletou informações nos gabinetes das duas Casas e apurou que a cota é alvo de desvirtuamento, como a distribuição de passagens a eleitores.
Na Câmara, a verba fixa varia de R$ 4.700 a R$ 18,7 mil. No Senado, de R$ 13 mil a R$ 25 mil. As duas Casas remuneram os parlamentares do Distrito Federal -que não precisam voar para suas bases.
Além disso, um grupo de 54 congressistas -integrantes da Mesa, seus suplentes e os líderes partidários- tem direito a um repasse adicional, que pode chegar a R$ 13 mil.
Neste grupo está o senador Adelmir Santana (DEM-DF), suplente da Mesa do Senado. Apesar de morar em Brasília, recebe a cota aérea. "Não usarei, a não ser que aconteça alguma coisa inusitada."
Tarifas
A Folha consultou as tarifas médias das principais companhias aéreas do país, TAM e Gol, usando como critério valores médios da tarifa para compra com um dia de antecedência, e constatou que, em média, os deputados conseguiriam adquirir 13 passagens ida e volta/ mês, e os senadores, 17.
No caso de Goiás, por exemplo, a cota da Câmara (R$ 9.172) permite a compra de 25 passagens pela tarifa média de R$ 368 (ida e volta). Por serem líderes de bancada, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Sandro Mabel (PR-GO) têm direito a adicional de R$ 4.700. Poderiam comprar até 38 passagens de ida e volta/mês, pela tarifa média, não promocional.
Os três senadores do Piauí, todos eles integrantes da Mesa do Senado, têm direito cada um a cerca de R$ 28 mil, o que equivale a 27 passagens de ida e volta entre Teresina e Brasília.
"Não sei nem de quanto é essa cota. Sei que existe, mas não sei exatamente quanto é. Só sei que, se tiver necessidade, eu vou usar, mas até agora não precisei", afirmou Marcelo Ortiz (PV-SP), que, por ser suplente da Mesa Diretora da Câmara, tem à disposição um acréscimo mensal de R$ 4.700 à sua cota de R$ 10,6 mil.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tem cota de R$ 23,7 mil (abriu mão dela desde fevereiro, pois lhe é permitido o uso de avião da Força Aérea Brasileira). José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, tem R$ 33 mil.
Além do alto valor, a Folha constatou que não há fiscalização sobre o uso da verba. O congressista emite a passagem no nome de quem quiser e não precisa prestar contas. "O controle é do parlamentar", confirmou Odair Cunha (PT-MG), terceiro-secretário da Câmara, responsável pela administração da cota dos deputados.
Questionadas pela Folha, as duas Casas afirmam estudar mudanças no sistema de controle. O Senado tende a formalizar a permissão para doação de passagens. Na Câmara, a diretoria geral fala em combater a comercialização da verba. "Tem procedimento no Ministério Público federal que aponta nesse sentido", disse Cunha.
Supremo
O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa desde 2008 a suspeita de que três deputados federais usavam uma agência de viagens de Maringá para vender suas passagens. O caso corre sob segredo de Justiça, no gabinete do ministro Cezar Peluso, e o único acusado que ainda permanece com o mandato é Luiz Bittencourt (PMDB-GO).
Também é comum que deputados e senadores distribuam bilhetes. "É normalíssimo isso. Um doente, por exemplo, que tem que sair do Pará para se tratar aqui em Brasília pede a passagem. Aqui e acolá, e ele é atendido", disse o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA).
"É a nossa cota de economia para ajudar à sociedade", afirma Nazareno Fonteles (PT-PI), que ajudou uma professora do Piauí que precisava ir ao Rio Grande do Sul por causa de sua tese de doutorado. "Não é um benefício só para ela, mas para a universidade pública."
Odair Cunha não concorda com essa prática: "Não compreendo isso como atividade parlamentar". O Ministério Público do DF também investiga o uso da cota pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) para levar conhecidos de São Luís para Brasília. O Senado diz que nada a impede de fazer isso. Ela só não poderia sortear ou vender os bilhetes.
O ato que regula a verba no Senado, de 1988, prevê como parâmetro de cálculo quatro passagens ida e volta ao Estado de origem, uma passando pelo Rio de Janeiro, e uma última de ida e volta ao Rio.
A única explicação para a inclusão obrigatória do Rio é o fato de a cidade ter sido a capital do país a 49 anos atrás.
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domingo, 29 de março de 2009
O direito de ir e vir (Sebastião Nery)
BELO HORIZONTE – Minas rusgou anos seguidos com o Espírito Santo por causa dos limites, das fronteiras entre os dois estados. O coração da briga era a cidade de Mantena, mineira, quase à beira do rio Doce. Juscelino, homem da paz, era presidente quando estourou uma luta feia entre capixabas e mineiros. Mineiros queriam anexar capixabas, capixabas queriam comer uma banda de Minas.
Começou a morrer gente de lado a lado. JK chamou ao Rio os governadores Bias Fortes, de Minas, e Carlos Lindenberg, do Espírito Santo. Duas horas de reunião a três, no Catete. Os jornalistas lá fora esperando. Abre-se a porta, sai Bias Fortes, com seu vozeirão engasgado :
- Tudo resolvido.
O jornalista Pedro Gomes queria mais detalhes:
- Resolvido como, governador?
- Acabou-se o “quiproquó”, permanece o “status quo”.
O latim de Bias Fortes não deixou haver mais tiros em Mantena.
Mantena
E de repente aparece em Belo Horizonte, eleito pelo PSD, com uma votação extraordinária, o deputado estadual Chiquinho, um matuto muito astuto, muito esperto. Seu colégio eleitoral era exatamente Mantena. Teve mais votos lá do que todo o eleitorado da cidade.
Tentei apurar:
- Deputado, qual é o eleitorado de Mantena? O senhor só teve votos ali na região? Como o senhor teve mais votos do que os eleitores?
- Meu filho, nós somos contra os capixabas, brigamos com eles por causa dos limites, mas reconhecemos que eles têm os mesmos direitos que nós. Portanto, podem também votar.
- Mas eles são eleitores no Espírito Santo. Como é que podem votar do lado de cá, do lado de Minas?
- Ora, meu filho, a Constituição assegura o direito de ir e vir.
Aécio
Amigos do governador Aécio Neves aqui se queixam de que não entendem como, nas pesquisas, ele tem tantos votos em Minas e tão poucos no resto do País. Esse é o problema de Aécio. Tem que arranjar um marqueteiro Chiquinho para ensinar como ter voto também fora de Minas.
A Constituição assegura a todo brasileiro o direito de votar em Aécio. Se ele não está tendo, fora dos limites de Minas, os votos que gostaria de ter, o problema deve ser mais dele do que dos eleitores. Desde a década de 50, o constitucionalista deputado Chiquinho de Mantena já sabia disso.
Tucano é ave de voo baixo, mas quando aprende voa alto.
Sarney
Sarney não sai das páginas. Das políticas e das beirando as policiais:
1 - “Em 2003, a jornalista e advogada Elga Maria Teixeira Lopes, que participara da campanha da senadora Roseana Sarney, do PMDB do Maranhão, para o governo do estado no ano anterior, foi indicada pelo então senador Sarney para chefiar a tal Diretoria de Modernização Administrativa e Planejamento. Hoje, foi recém-nomeada para dirigir a enorme máquina de comunicação do Senado, com 20 secretarias”.
2 – “Ela conta que foi contratada para trabalhar nas campanhas de Sarney ao Senado, em 1998, e de Roseana, em 2002. Depois, foi contratada para essas diretorias como comissionada, pois não é concursada. Todos por lá afirmam que 70% das 181 diretorias foram criadas após a chegada da dupla Sarney/Agaciel ao comando do Senado” (Maria Lima, Adriana Vasconcelos e Diana Fernandes, “O Globo”).
Assim, as campanhas de Sarney ficam baratinhas, baratinhas. Tem quem pague, e muito bem, e por longo, longo tempo. Nós: vocês e eu.
Rabinos
É por isso que muita gente prefere o “Big Brother”, o telebordel do Pedro Bial, a ler jornal. Cada dia a barbárie toma mais conta do mundo:
- “Rabinos incitaram à Guerra Santa em Gaza”.
Quem disse foi o jornal “Ha’aretz”, de Israel. E, de Jerusalém, a Renata Malkes, correspondente do “O Globo”, traduziu e mandou a matéria:
“Contou um dos soldados: ‘A mensagem dos rabinos era muito clara. Nós somos o povo judeu, nós chegamos a esta terra por milagre. Deus nos trouxe de volta à terra de Israel e agora temos que lutar para expulsar os gentios (sic), que estão interferindo em nossa conquista da Terra Santa’. As revelações foram obtidas num seminário realizado na Academia Militar Itzhak Rabin para discutir as experiências dos oficiais durante os 22 dias da ofensiva militar que deixou pelo menos 1.400 mortos na Faixa de Gaza”. (Do lado de Israel, só 13. E, desses, 12 em desastres.)
Ainda prefiro rabino furtando gravata em Miami. Não mata ninguém.
Caseiros
Se pedir confirmação, todos vão negar. Mas é a nova onda que rola muito sarcasticamente pelos bastidores do PT paulista. O PT de São Paulo, em vez de se dividir politicamente, dividiu-se operariamente: “contra-caseiro” e “pro-caseiro”. “Contra-caseiro” são os que querem o Palocci candidato do partido a governador do estado. É a “tendência” contra o “bisbilhoteiro” Francenildo, o caseiro piauiense da “Casa do Amor”.
A outra “tendência” é a dos que não aceitam o Palocci e querem o Emidio de Souza, prefeito de Osasco, candidato a governador pelo partido. São os a favor do caseiro Francenildo, desempregado pelo “affaire” Palocci. Pode acabar sendo uma campanha surpreendentemente erótica.
Começou a morrer gente de lado a lado. JK chamou ao Rio os governadores Bias Fortes, de Minas, e Carlos Lindenberg, do Espírito Santo. Duas horas de reunião a três, no Catete. Os jornalistas lá fora esperando. Abre-se a porta, sai Bias Fortes, com seu vozeirão engasgado :
- Tudo resolvido.
O jornalista Pedro Gomes queria mais detalhes:
- Resolvido como, governador?
- Acabou-se o “quiproquó”, permanece o “status quo”.
O latim de Bias Fortes não deixou haver mais tiros em Mantena.
Mantena
E de repente aparece em Belo Horizonte, eleito pelo PSD, com uma votação extraordinária, o deputado estadual Chiquinho, um matuto muito astuto, muito esperto. Seu colégio eleitoral era exatamente Mantena. Teve mais votos lá do que todo o eleitorado da cidade.
Tentei apurar:
- Deputado, qual é o eleitorado de Mantena? O senhor só teve votos ali na região? Como o senhor teve mais votos do que os eleitores?
- Meu filho, nós somos contra os capixabas, brigamos com eles por causa dos limites, mas reconhecemos que eles têm os mesmos direitos que nós. Portanto, podem também votar.
- Mas eles são eleitores no Espírito Santo. Como é que podem votar do lado de cá, do lado de Minas?
- Ora, meu filho, a Constituição assegura o direito de ir e vir.
Aécio
Amigos do governador Aécio Neves aqui se queixam de que não entendem como, nas pesquisas, ele tem tantos votos em Minas e tão poucos no resto do País. Esse é o problema de Aécio. Tem que arranjar um marqueteiro Chiquinho para ensinar como ter voto também fora de Minas.
A Constituição assegura a todo brasileiro o direito de votar em Aécio. Se ele não está tendo, fora dos limites de Minas, os votos que gostaria de ter, o problema deve ser mais dele do que dos eleitores. Desde a década de 50, o constitucionalista deputado Chiquinho de Mantena já sabia disso.
Tucano é ave de voo baixo, mas quando aprende voa alto.
Sarney
Sarney não sai das páginas. Das políticas e das beirando as policiais:
1 - “Em 2003, a jornalista e advogada Elga Maria Teixeira Lopes, que participara da campanha da senadora Roseana Sarney, do PMDB do Maranhão, para o governo do estado no ano anterior, foi indicada pelo então senador Sarney para chefiar a tal Diretoria de Modernização Administrativa e Planejamento. Hoje, foi recém-nomeada para dirigir a enorme máquina de comunicação do Senado, com 20 secretarias”.
2 – “Ela conta que foi contratada para trabalhar nas campanhas de Sarney ao Senado, em 1998, e de Roseana, em 2002. Depois, foi contratada para essas diretorias como comissionada, pois não é concursada. Todos por lá afirmam que 70% das 181 diretorias foram criadas após a chegada da dupla Sarney/Agaciel ao comando do Senado” (Maria Lima, Adriana Vasconcelos e Diana Fernandes, “O Globo”).
Assim, as campanhas de Sarney ficam baratinhas, baratinhas. Tem quem pague, e muito bem, e por longo, longo tempo. Nós: vocês e eu.
Rabinos
É por isso que muita gente prefere o “Big Brother”, o telebordel do Pedro Bial, a ler jornal. Cada dia a barbárie toma mais conta do mundo:
- “Rabinos incitaram à Guerra Santa em Gaza”.
Quem disse foi o jornal “Ha’aretz”, de Israel. E, de Jerusalém, a Renata Malkes, correspondente do “O Globo”, traduziu e mandou a matéria:
“Contou um dos soldados: ‘A mensagem dos rabinos era muito clara. Nós somos o povo judeu, nós chegamos a esta terra por milagre. Deus nos trouxe de volta à terra de Israel e agora temos que lutar para expulsar os gentios (sic), que estão interferindo em nossa conquista da Terra Santa’. As revelações foram obtidas num seminário realizado na Academia Militar Itzhak Rabin para discutir as experiências dos oficiais durante os 22 dias da ofensiva militar que deixou pelo menos 1.400 mortos na Faixa de Gaza”. (Do lado de Israel, só 13. E, desses, 12 em desastres.)
Ainda prefiro rabino furtando gravata em Miami. Não mata ninguém.
Caseiros
Se pedir confirmação, todos vão negar. Mas é a nova onda que rola muito sarcasticamente pelos bastidores do PT paulista. O PT de São Paulo, em vez de se dividir politicamente, dividiu-se operariamente: “contra-caseiro” e “pro-caseiro”. “Contra-caseiro” são os que querem o Palocci candidato do partido a governador do estado. É a “tendência” contra o “bisbilhoteiro” Francenildo, o caseiro piauiense da “Casa do Amor”.
A outra “tendência” é a dos que não aceitam o Palocci e querem o Emidio de Souza, prefeito de Osasco, candidato a governador pelo partido. São os a favor do caseiro Francenildo, desempregado pelo “affaire” Palocci. Pode acabar sendo uma campanha surpreendentemente erótica.
sábado, 28 de março de 2009
EMPRESAS PRIVADAS SE ARTICULAM COM OS COFRES PÚBLICOS ATRAVÉS DE POLÍTICOS COMPRADOS, ATRAVÉS DO FINANCIAMENTO PARTICULAR DE CAMPANHAS POLÍTICAS
DESMORONA O "CASTELO DE AREIA" DO FINANCIAMENTO "PRIVADO" DAS CAMPANHAS POLÍTICAS
FINANCIAMENTO PRIVADO DE CAMPANHA POLÍTICAS É DESMORALIZADO
NÃO É O POVO QUE OUTORGA MANDATOS, MAS AS EMPRESAS QUE FINANCIAM CAMPANHAS POLÍTICAS
FINANCIAMENTO PRIVADO DE CAMPANHAS POLÍTICAS E PURA TROCA DE FAVORES
SÓ O FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHAS POLÍTICAS ACABARÁ COM ESSA "POUCA VERGONHA"
EMPRESA COMPRA MANDATO PARA PARLAMENTARES AMIGOS
VEJA O QUE PUBLICARAM OS JORNAIS SOBRE A "SUJEIRA" QUE É A CONTRIBUIÇÃO "PRIVADA" ÁS CAMPANHAS POLÍTICAS, ACESSANDO O SEGUINTE LINK:
http://comprademandatos.blogspot.com/
FINANCIAMENTO PRIVADO DE CAMPANHA POLÍTICAS É DESMORALIZADO
NÃO É O POVO QUE OUTORGA MANDATOS, MAS AS EMPRESAS QUE FINANCIAM CAMPANHAS POLÍTICAS
FINANCIAMENTO PRIVADO DE CAMPANHAS POLÍTICAS E PURA TROCA DE FAVORES
SÓ O FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHAS POLÍTICAS ACABARÁ COM ESSA "POUCA VERGONHA"
EMPRESA COMPRA MANDATO PARA PARLAMENTARES AMIGOS
VEJA O QUE PUBLICARAM OS JORNAIS SOBRE A "SUJEIRA" QUE É A CONTRIBUIÇÃO "PRIVADA" ÁS CAMPANHAS POLÍTICAS, ACESSANDO O SEGUINTE LINK:
http://comprademandatos.blogspot.com/
sexta-feira, 27 de março de 2009
Tarefa difícil (Nos Bastidores da Política)- Cristiana Lôbo
Nos últimos tempos, a política brasileira tem sido sustentada no clientelismo e no fisiologismo. Cada vez que um partido é agregado à base do governo, a primeira discussão é sobre os cargos que estarão disponíveis no serviço público. Esta é a cultura que norteia a política no Executivo e não poderia ser diferente no Legislativo, onde os parlamentares têm o poder da caneta.
Foi precisamente esta cultura da nomeação de afilhados políticos, a busca de uma “colocação” para um apaniguado, que levou o Senado à situação em que chegou: ter 181 diretorias. (Agora, a direção diz que são “apenas” 38, mas a informação que chegou a 181 era oficial- embora vergonhosa).
A dificuldade que tem hoje a primeira-secretaria, responsável neste momento pela readequação da estrutura administrativa da Casa, é justamente cortar os diretores que têm padrinhos políticos. A primeira lista (de 50 demissões e que não foram efetivadas) continha muito mais concursados e não afilhados políticos. Ainda assim, as demissões não foram efetivadas por conta da pressão - pressão até legítima, quando uns estão ali a defender a tarefa que cumprem diariamente.
Existem dezenas, centenas, alguns dizem que pode chegar ao milhar, de funcionários que “têm as costas quentes”, um padrinho forte que não permitirá sua exoneração. Sempre foi assim. Mas, agora, as coisas devem mudar. Ou precisam mudar.
Está claro que vai ser difícil mudar o Senado. Primeiro, por conta da cultura do empreguismo, depois porque os senadores todos se unem quando o assunto é acabar com a verba indenizatória - a permissão de gastos de asté R$ 15 mil por mês com apresentação de nota de despesas para ressarcimento. Contra o fim da verba indenizatória se unem todos - dos partidos mais à esquerda aos mais à direita.
E, assim, se a temperatura baixar, tudo fica como está. Vai ser feito aquele tipo de movimento de mudar para deixar tudo igual.
Foi precisamente esta cultura da nomeação de afilhados políticos, a busca de uma “colocação” para um apaniguado, que levou o Senado à situação em que chegou: ter 181 diretorias. (Agora, a direção diz que são “apenas” 38, mas a informação que chegou a 181 era oficial- embora vergonhosa).
A dificuldade que tem hoje a primeira-secretaria, responsável neste momento pela readequação da estrutura administrativa da Casa, é justamente cortar os diretores que têm padrinhos políticos. A primeira lista (de 50 demissões e que não foram efetivadas) continha muito mais concursados e não afilhados políticos. Ainda assim, as demissões não foram efetivadas por conta da pressão - pressão até legítima, quando uns estão ali a defender a tarefa que cumprem diariamente.
Existem dezenas, centenas, alguns dizem que pode chegar ao milhar, de funcionários que “têm as costas quentes”, um padrinho forte que não permitirá sua exoneração. Sempre foi assim. Mas, agora, as coisas devem mudar. Ou precisam mudar.
Está claro que vai ser difícil mudar o Senado. Primeiro, por conta da cultura do empreguismo, depois porque os senadores todos se unem quando o assunto é acabar com a verba indenizatória - a permissão de gastos de asté R$ 15 mil por mês com apresentação de nota de despesas para ressarcimento. Contra o fim da verba indenizatória se unem todos - dos partidos mais à esquerda aos mais à direita.
E, assim, se a temperatura baixar, tudo fica como está. Vai ser feito aquele tipo de movimento de mudar para deixar tudo igual.
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