A crônica da internação de José Sarney esconde uma passagem só revelada pelo presidente do Senado a amigos que privam de sua intimidade. Um detalhe que, na versão do moribixaba do PMDB foi decisivo para antecipar a cirurgia que o livrou de um infarto.
No pedaço já noticiado, Sarney sentiu-se mal na noite de uma Sexta-feira 13, ligou para o cardiologista Roberto Kalil Filho na manhã do sábado, submeteu-se a exames preliminares, foi medicado e teve a angioplastia marcada para a manhã de domingo. Voltou a sentir dores no peito de madrugada e a cirurgia foi antecipada.
Na passagem que não chegou ao noticiário, Sarney telefonou para um velho amigo no início da madrugada de sábado para domingo –um médico octagenário de São Paulo, já aposentado, que não integra o staff do hospital Sírio Libanês.
Sarney conhece-o há mais de 40 anos. Relatou-lhe o que havia sucedido: os exames, a medicação, a previsão de angioplastia e o novo mal-estar. O amigo aconselhou a antecipação da cirurgia.
Primeiro porque achava que o quadro clínico pedia pressa. Segundo porque, conhecendo o paciente e seus pendores para a hipocondria, enxergou no telefonema noturno um prenúncio de que Sarney teria uma noite intranquila, num grau de tensão indesejável.
Na versão relatada em privado por Sarney, o amigo cuidou de contactar a equipe médica do Sírio. Deu-se, então, a antecipação da angioplastia que desobstruiu no peito de Sarney a obstrução detectada numa das principais artérias do coração, a artéria descendente anterior.
Após uma semana de molho hospitalar, Sarney deveria ter recebido alta nesta segunda (23). Os médicos preferiram retê-lo no leito por mais um dia, para a realização de exames finais. A filha Roseana Sarney, governadora do Maranhão, que se encontra em São Paulo, informou a um auxilar do senador que a verificacão já foi feita e que o quadro é de normalidade.
Além de Roseana, estiveram com Sarney nesse dia dos derradeiros exames o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD) e um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Espera-se que liberação médica ocorra nesta terça (24). Por precaução, Sarney deve permanecer o resto da semana em São Paulo.
Dias atrás, em diálogo telefônico com um auxiliar do Senado que o acompanha desde os tempos de presidente da República, Sarney comentou: “Aaahhh, esse seu amigo aqui quase foi embora. Se não fossem os meus conhecimentos médicos, eu teria ido embora…”
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Base aliada tenta agilizar formação da CPMI do Cachoeira
17/4/2012 13:54, Por Redação - de Brasília
Ideli Salvatti coordena a formação da CPMI do Cachoeira na base aliada
Ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti desmentiu, na manhã desta terça-feira, a informação divulgada, na véspera, por jornais e TVs da imprensa conservadora, que o governo tenha trabalhado para atrasar a formação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, destinada a investigar as ligações de altos integrantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo Ideli, a investigação é uma questão do Legislativo e a orientação da presidenta Dilma Rousseff é apenas no sentido de que os trabalhos da CPMI não atrapalhem as votações no Plenário. Segundo Ideli, Dilma foi bem clara em afirmar que não tem o menor interesse em adiantar ou atrasar nada em relação ao escândalo que liga o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), de Brasília, Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, além de empresários e outros parlamentares, ao contraventor goiano.
– Trabalhamos para manter as votações dentro da normalidade. O foco do governo é continuar as votações. A CPI é uma deliberação do Poder Legislativo – disse Ideli, durante o café da manhã com os líderes da base aliada, nesta terça-feira.
Ainda segundo a ministra, a expectativa dos líderes da base aliada é a de encerrar a colheita de assinaturas para a criação da CPI nas próximas horas.
- Não há qualquer sinal de recuo por parte dos parlamentares aliados – afirmou a ministra.
Parlamentares ligados ao DEM, ao PSDB e demais partidos à direita têm tentado mudar o foco das investigações, segundo observou um dos parlamentares presentes ao encontro com Ideli, nesta manhã, mas não em número suficiente para influenciar, de forma alguma, na formação da CPMI. Por parte do governo, a montagem da CPMI tem sido conduzida por Ideli de forma a integrá-la com quadros para assessorar tecnicamente os aliados na comissão. Funcionários mais experientes do Congresso têm sido disputados entre oposição e os governistas.
De acordo com a orientação do governo, o objetivo é se antecipar na escolha destes quadros técnicos e traçar a estratégia de atuação, bem como dissecar as centenas de dados que chegam a uma CPI a pedido dos parlamentares. A ministra tem participado ativamente da escolha do relator, mantendo uma série de reuniões com líderes e parlamentares, como nesta manhã.
Homem de confiança de Ideli, o deputado Odair Cunha (PT-MG) foi sondado, na véspera, para ocupar a relatoria, mas não foram abandonadas as hipóteses de contar com nomes como do ex-líder Paulo Teixeira (PT-SP) e do ex-ministro Luiz Sérgio (PT-RJ). Apesar da disposição do ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP) de assumir a tarefa, ele ainda enfrentava resistência no Palácio do Planalto. Participantes da negociação alegavam desconhecer a decisão final porque sua condução acontece “em outras esferas” que não do Congresso Nacional.
Outro nome que enfrenta resistências dentro do próprio partido é o do ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR-RJ). Ele ameçou ir à Tribuna do Plenário para protestar por ter sido preterido para uma vaga na comissão “por determinação do Palácio”. O líder do partido, Lincoln Portela (MG), garante porém que escolha obedeceu à ordem de apresentação de pretendentes. Uma possível relação entre o bicheiro Cachoeira e o governo do Rio durante a gestão de Garotinho teria pesado na decisão de não o convidar para a CPMI.
Humberto virou relator do caso Demóstenes num sorteio em que cinco
colegas refugaram o posto
Guindado por sorteio à condição de relator do Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa (PT-PE) estima que “dentro de cerca de 30 dias haverá uma decisão” do colegiado “sobre a abertura ou não do processo de cassação do mandato do colega Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).
Humberto concedeu uma entrevista ao blog na noite passada. Cauteloso, preocupou-se em dizer que ainda não formou um juízo sobre o caso. Informou, porém, que, na eventualidade de ser inaugurado o processo por quebra de decoro parlamentar, o conselho pode realizar “diligências, oitivas e acareações”.
Perguntou-se ao senador se cogita promover uma acareação de Demóstenes com o contraventor Carlinhos Cachoeira. E Humberto: “Se for necessário, mais para a frente, não terei nenhuma dificuldade de pedir.” Explicou que Cachoeira pode ser convocado ou os senadores podem ir ao encontro dele, na prisão.
Disse que as deliberações do Conselho de Ética não estão condicionadas à CPI que o Congresso está prestes a instalar nem ao inquérito que corre contra Demóstenes no STF. “O julgamento do Conselho é eminentemente político. Existe uma definição do que é quebra do decoro parlamentar. É algo bastante abrangente.”
Exemplificou: “Às vezes nem precisa de prova material. Por exemplo: mentir representa uma das possibilidades de quebra do decoro. Uma declaração que eventualmente tenha sido feita e que, posteriormente, verificou-se que não era verdadeira pode ser entendida como quebra de decoro.”
Admitiu que, nesse contexto, “ganha realce” o discurso que Demóstenes proferiu na tribuna do Senado em 6 de março, quando seu nome começou a frequentar as manchetes ao lado de Cachoeira. O repórter reviu o pronunciamento (disponível em vídeo lá no radapé).
A alturas tantas, Demóstenes declarou: “O contato pessoal, ainda que frequente, não significa participação pessoal em seus afazeres ocultos. […] Apesar dos relacionamentos de amizade, nunca tive negócios com o sr. Carlos Cachoeira.” Grampos telefônicos divulgados posteriormente revelaram que o senador, em verdade, colocara seu prestígio e seu mandato a serviço de Cachoeira.
Mais adiante, Demóstenes afirmou: “As ligações telefônicas apontam para conversas triviais e tiveram sua frequência ampliada num período em que eu e minha mulher interferimos numa questão pessoal da amiga dela, esposa de Carlos Cachoeira.” As escutas da PF evidenciaram que os diálogos nem eram triviais nem se limitaram às questões familiares.
Demóstenes admitiu ter recebido “um fogão e uma geladeira ofertados pelo casal de amigos”. Presente de casamento, disse ele. “A boa educação recomenda não perguntar o preço de um presente [cerca de R$ 30 mil], muito menos recusá-lo.” De novo, os grampos desdisseram o orador. Num deles Demóstenes pede a Cachoeira que pague uma fatura de táxi aéreo. Coisa de R$ 3 mil.
De resto, Demóstenes declarou coisas assim: “Podem grampear à vontade, não vão encontrar nada.” Não achariam, disse ele, porque não havia o que encontrar. Posteriormente, o senador admitiu que usou um aparelho Nextel cedido por Cachoeira. Equipamento habilitado em Miami, que se imaginava ser imune a grampeamentos. Não era.
Embora Humberto Costa se esquive de entrar em detalhes, parece evidente que é dessa matéria prima que será feito o miolo do relatório preliminar que irá submeter à apreciação dos membros do Conselho de Ética. Vai abaixo a entrevista do senador, que carrega no currículo os títulos de médico e jornalista:
- A decisão do Conselho de Ética depende da CPI ou do inquérito do STF? As decisões do Conselho podem ser tomadas independentemente do que venha a acontecer na CPI ou no Supremo. O julgamento do Conselho de Ética é eminentemente político. Existe uma definição do que é quebra do decoro parlamentar. É algo bastante abrangente. Às vezes nem precisa de prova material. Por exemplo: mentir representa uma das possibilidades de quebra do decoro. Uma declaração que eventualmente tenha sido feita e que, posteriormente, verificou-se que não era verdadeira pode ser entendida como quebra de decoro.
- Ganha realce, então, o pronunciamento que o senador fez em plenário no dia 6 de março, não? Exatamente. Isso ganha realce. Declarações que foram feitas na imprensa, coisas que ele admitiu que aconteceram também ganham realce.
- Portanto, pode-se concluir que a decisão do conselho virá mais rapidamente do que as conclusões da CPI e do STF? Trabalharei nesse sentido. Há um desejo do próprio senador Demóstenes de que essa decisão aconteça logo.
- Quem determina o ritmo do conselho é o relator ou o regimento? Os procedimentos que estão fixados são os seguintes: desde quinta-feira (12), são contados os dez dias úteis para ele apresentar a defesa por escrito. Recebida a defesa, terei cinco dias úteis para apresentar um relatório preliminar. O senador Demóstenes terá, então, três dias úteis para fazer suas alegações finais. Encerrada essa fase, o conselho terá até cinco dias para se posicionar em relação ao parecer preliminar do relator. Se o parecer for pela abertura do processo, vai a voto no conselho. Se houver aceitação, aí é que vai começar o processo.
- Mas o processo já não começou? Estamos na fase preliminar. Não tenho como dizer, ainda, se meu parecer será ou não favorável à abertura de processo por quebra de decoro. Se eventualmente meu relatório for nessa linha e o Conselho aprovar, abre-se o processo. Nessa segunda fase, não há prazos definidos. Podem ser feitas diligências, oitivas e acareações. Só então eu farei o relatório final, para dizer se houve ou não quebra do decoro parlamentar. E o conselho terá de se posicionar sobre o conteúdo desse meu relatório final.
- Apenas para ficar bem claro: ao aceitar a representação do PSOL, o conselho já não abriu o processo? Funciona assim: ao admitir a representação do PSOL, o conselho iniciou uma fase semelhante à de um inquérito policial. Nesse estágio, nós vamos verificar se há ou não indícios de quebra de decoro parlamentar. Na hipótese de concluirmos que há indícios, o conselho terá de aprovar o relatório preliminar. Se isso vier a ocorrer, será como se o senador fosse indiciado. Passa-se, então à fase do processo por quebra de decoro. Começa uma fase semelhante à de uma instrução de processo judicial.
- Pode-se concluir, então, que a decisão do conselho sai em cerca de 30 dias?Considenrado-se os prazos –15 dias entre defesa e relatório preliminar, mais três para alegações finais e cinco para a deliberação do Conselho— podemos dizer que dentro de cerca de 30 dias haverá uma decisão do Conselho sobre a abertura ou não do processo de cassação. Se meu relatório preliminar for pela abertura do processo –e não tenho ainda condições de dizer que será— e se o conselho aprovar, teremos a possibilidade de realizar diligências, oitivas, acareações e etc. Só depois de concluídos todos os procedimentos é que será apresentado o relatório final. Se for pela recomendação de cassação, o conselho terá de se posicionar. Se for o caso, o processo vai ao plenário do Senado.
- Acha que pode ser necessário fazer uma acareação entre Demóstenes e Cachoeira?Não posso dizer ainda. Se for necessário, mais para a frente, não terei nenhuma dificuldade de pedir. Nessa etapa atual, não cabe.
- Mais adiante pode ser que ocorra? Pode.
- O Conselho de Ética tem poderes para convocar Cachoeira? Pode convocar ou ir até o local onde ele se encontra preso. Isso pode ser feito, se acharmos que é necessário.
- Em tempo: Abaixo, o vídeo com a íntegra do discurso que Demóstenes Torres pronunciou no Senado em 6 de março:
A ideia de abrir uma “CPI do Cachoeira”, que flutuava há três semanas na atmosfera do Congresso como uma hipótese latente, ganhou nesta segunda (9) ares de um fato na bica de ser consumado.
Tradicional empata-CPIs, o governo decidiu fazer corpo mole. Consultada por lideranças petistas, a ministra Ideli Salvatti, coordenadora política de Dilma Rousseff, informou que o Planalto, dessa vez, não cogita interferir na decisão dos seus aliados.
O lavar de mãos de Ideli produziu efeitos instantâneos. Líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA) pôs-se a defender a instalação da CPI. Em conversa com o colega Pedro Taques (PDT-MT), o líder de Dilma no Senado, José Pimentel (PT-CE), disse que os 13 senadores da bancada petista rubricarão o pedido de CPI.
Uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, serviu de pretexto para acender o pavio do Senado. Relator do processo aberto contra os parlamentares que molharam suas reputações nos negócios ilícitos de Carlinhos Cachoeira, Lewandowski negou-se a entregar cópias dos autos ao Senado e à Câmara.
O ministro alegou que o inquérito corre em segredo. Só uma Comissão Parlamentar de Inquérito teria poderes para requisitar o papelório. Por quê? Reza a Constituição que os membros de uma CPI têm poderes de investigação análogos aos de autoridades judiciárias.
Egresso do Ministério Público Federal, o pedetê Pedro Taques também aderiu à tese da inevitabilidade da CPI. Mais do que isso: em combinação com Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Taques começou a esboçar, já na noite passada, um requerimento de Comissão Parlamentar de Inquérito.
“Terá de ser uma comissão mista”, disse Taques ao blog. Significa dizer que será composta por senadores e deputados. Algo lógico, já que a cachoeira de denúncias engolfou, além do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) cinco deputados. Quatro de Goiás: Carlos Leréia (PSDB), Leonardo Vilela (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Rubens Otoni (PT). Um do Rio: Stepan Nercessian (PPS).
Pelo telefone, Taques conversou com o líder petista Walter Pinheiro, que estava fora de Brasília. Combinaram de se reunir nesta terça (10). No encontro, será possível saber até onde vai a disposição do petismo para esmiuçar os negócios ilícitos de Carlinhos Cachoeira e suas ramificações no mundo da política.
Na versão redigida por Taques, a CPI vai incluir entre os fatos a investigar o vínculo de Cachoeira com a Construtora Delta. Os indícios colecionados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal indicam que, puxando essa ponta do novelo, os parlamentares chegarão ao governo tucano de Goiás, chefiado por Marconi Perillo, e também à administração petista do Distrito Federal, comandada por Agnelo Queiroz.
A cúpula do PT, à frente o presidente da legenda, Rui Falcão, enxerga na proposta de CPI uma oportunidade para alvejar os antagonistas da oposição –sobretudo PSDB e DEM. Ficou entendido que, para minar os rivais, o sacrifício do deputado petista Rubens Otoni seria um preço módico a pagar. Estaria o PT disposto a correr o risco de afogar também o governador Agnelo?, eis a pergunta que resta responder.
Para que uma CPI mista fique em pé, exige-se a coleta de pelo menos 27 assinaturas de senadores e 171 de deputados. Na Câmara, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) já havia coletado mais jamegões do que o mínimo exigido pelo regimento. Mas o requerimento de Protógenes prevê uma CPI exclusiva da Câmara.
Se vingar a tese segundo a qual o mais adequado é que a comissão seja mista, será necessário correr o novo requerimento no Senado e também na Câmara. A oposição olha de esguelha para a súbita conversão do petismo ao instituto da CPI. Suspeita-se que atrás da volúpia do PT esconde-se o propósito não declarado de igualar as legendas em perversão no instante em que o STF se prepara para julgar o processo do mensalão.
Seja como for, PSDB e DEM ficariam mal se deixassem de apoiar a CPI. Na semana passada, nas pegadas da desfiliação de Demóstenes Torres, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), declarou da tribuna que seu partido apoia a abertura da CPI. Nesta segunda (9), também o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), afirmou que o tucanato não negará assinaturas ao requerimento.
Observador privilegiado da conjuntura política, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) enxerga no caso Cachoeira um desses episódios que, por escandalosos, não terão como ser negligenciados. Decano do Senado, Simon avalia que a opinião pública acabará prevalecendo. “Não confio nem no Congresso, nem no Judiciário e nem no Legislativo”, disse. ”Eu confio é no povo, na manifestação do povo, na ação do povo. Hoje isso está acontecendo.”
O grão-tucano Fernando Henrique Cardoso, que na sua época de presidente sufocou várias investigações parlamentares, costuma dizer que “não existe CPI a favor”. Ex-presidente do DEM, o hoje senador aposentado Jorge Bornahausen cunhou o célebre racionicío sobre o caráter traiçoeiro das CPIs, que “todo mundo sabe como começam, mas ninguém sabe como terminam.”
Transpostas para a cena atual, as frases de FHC e de Bornhausen como que convertem em erro político a decisão do governo Dilma de dar de ombros para a articulação pró-CPI. Alvaro Dias cuida de adicionar água num cenário já ensopado. Verbaliza a suspeita de que o pedaço ainda oculto do inquérito contra Cachoeira esconde fatos com potencial para afogar Brasília.
O vaticínio do líder tucano não parece de todo despropositado. O repórter Ilimar Franco informa que o subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, Olavo Noleto, vai deixar o cargo. Descobriu-se que trocou um telefonema com o número dois da quadrilha de Cachoeira. Citado na investigação da PF, também o superintendente do Incra no DF, Marco Aurélio da Rocha, foi afastado de suas funções.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Senado deve analisar caso Demóstenes na terça
Presidência do Conselho de Ética está vaga e novo ocupante do cargo será escolhido na segunda-feira
O Senado deve analisar as denúncias contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) apenas na terça-feira. A presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar está vaga, desde setembro do ano passado, e o nome do novo ocupante será anunciado nesta segunda-feira, de acordo com a assessoria do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Somente após a definição os trabalhos poderão começar.
Demóstenes Torres é acusado de ligações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por envolvimento com o jogo do bicho. Durante a operação Monte Carlo, a Polícia Federal descobriu que o parlamentar havia recebido presentes do empresário.
Na ocasião, Demóstenes afirmou que se tratava de um presente de casamento. Mais tarde, a Polícia Federal divulgou gravações em que o parlamentar pede dinheiro a Cachoeira. Pressionado, o parlamentar anunciou que deixaria seu partido, o DEM.
Investigações
Embora tenha deixado o partido ele continua ocupando sua cadeira no Senado, mas já começa a receber pressões para que seja afastado. O Psol protocolou, no último dia 28, uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para investigar as ligações entre Demóstenes e Cachoeira.
As investigações contra Demóstenes também correm fora do Congresso. Como o senador tem foro privilegiado, o caso só poderá ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Por isso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou à Corte um pedido de abertura de inquérito sobre os fatos apurados pela Polícia Federal.
O pedido foi aceito pelo ministro Ricardo Lewandowski, que ordenou a quebra do sigilo bancário do senador.
Sem presidente
As apurações no Senado, no entanto, estão paradas graças à ausência de um presidente no Conselho de Ética. Em setembro, o senador João Alberto (PMDB-MA), deixou o cargo para assumir funções no governo de Roseana Sarney, no Maranhão.
Atualmente, o Conselho é representado pelo vice-presidente, senador Jayme Campos (DEM-MT). No entanto, ele descartou a possibilidade de dar início às investigações, ao afirmar que a competência caberia ao novo presidente.
Para definir o substituto de João Alberto, os partidos aliados batem cabeça. O PT recomendou o nome de Wellington Dias (PI) para ocupar a presidência do colegiado.
No entanto, um acordo entre os partidos determina que o nome será escolhido pelo PMDB. O líder do partido, senador Renan Calheiros, anunciou que a escolha ocorrerá apenas na segunda-feira. No entanto, a assessoria do parlamentar não se pronunciou sobre o nome de Wellington Dias, indicado pelo PT
sábado, 7 de abril de 2012
Dilma era o alvo de Demóstenes e Cachoeira (Andrei Meireles e Murilo Ramos - ÉPOCA - Via Blog do Noblat)
Foto: Do Arquivo do Blog
A carreira política do senador Demóstenes Torres era manipulada por Carlinhos Cachoeira para ampliar seus negócios e se aproximar do Planalto
COMENTÁRIO DO BLOG:
Terrível constatação: O mandato, supostamente do futuro ex-senador Demóstenes Torres, não pertence a ele e muito menos ao povo goiano.
O senador, um autêntico fantoche, no Senado era verdadeiramente representante do contraventor Carlinhos Cachoeira e dos demais empresários que investiram em sua campanha eleitoral, sob o título eufemístico de "doação", mas que pode ser traduzido por investimento.
E quem investe planeja retorno.
E o pior:
A volta é quase sempre através do dinheiro público. É o povo, afinal, quem paga o "pato!.
Porque, então, não rasgar essa máscara de que o financiamento publico de campanha onerará os cofres do país, quando, na verdade, é o dinheiro desviado da saúde, da educação, da segurança, etc., etc, através de deslavada e impune corrupção que já adquire caráter sistêmico, que financia as campanhas políticas, exceto quando o candidato usa dinheiro do seu próprio bolso, como é o caso da maioria dos integrantes da bancada ruralista na Câmara dos Deputados (só um exemplo) que abriga cerca de 213 pseudo representantes do povo, pois verdadeiramente, representam a si mesmos ou no máximo, seus similares, porque seus mandatos são comprados com recursos próprios ou de outros empresários rurais, cujo objetivo primordial é a defesa de interesses corporativistas e não os dos trabalhadores do campo.
Conclui-se que são poucos os representantes do povo, no Congresso..
E quem, pois, são os verdadeiros representantes da população brasileira?
Acredito que seriam aqueles que, antes da eleições não barganharam, não empenharam, não "venderam" seus mandatos, através do recebimento prévio de "doação" privada (a palavra é perfeitamente adequada) para sua campanha eleitoral.
O leitor tem notícias de que o Deputado Tiririca, o campeão de votos no país, "vendeu" o mandato dele, antes das eleições, a troco de "doações" de campanha?
Certamente, existem mais alguém que o povo elegeu sem ser influenciado pelo poder econômico. Mas, acho que dá para contar nos dedos.
O subtítulo desta matéria é emblemático:
"A carreira política do senador Demóstenes Torres era manipulada por Carlinhos Cachoeira para ampliar seus negócios e se aproximar do Planalto"
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Infelizmente, o Parlamento brasileiro, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais estão repletas de "demostenes" e de representantes inautênticos. Isto já não é, apenas, trapalhadas do DEM, pois até parece "coisa do demo".
Também, não faltam outros "carlinhos cachoeiras", entre os financiadores (este é o termo mais adequado) de campanha política.
E, sem dúvida, esta situação calamitosa vai perdurar enquanto não for instituído o funcionamento público de campanha eleitoral que é de difícil aprovação porque contraria os interesses dos "demóstenes" e "carlinhos cachoeiras". (Edson Nogueira Paim escreveu)
Eis o teor da matéria supra referida:
Como qualquer empresa, as organizações criminosas têm seus planos de sobrevivência e expansão. O grupo do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, inovou em muita coisa, mas não nesse aspecto. Cachoeira tinha negócios escusos e planos de novos empreendimentos em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins, onde contava com a ajuda de políticos e agentes públicos, de acordo com as investigações da Polícia Federal.
Mas Cachoeira queria mais. Conversas telefônicas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido), gravadas com autorização judicial e obtidas com exclusividade por ÉPOCA (ouça os áudios ao fim desta reportagem), mostram que os dois planejavam se aproximar de alguma forma do Palácio do Planalto.
Numa das ligações captadas, Cachoeira orienta Demóstenes a aproveitar um convite para trocar o DEM pelo PMDB, com o propósito de se juntar à base de apoio do governo e se aproximar da presidente, Dilma Rousseff. “E fica bom demais se você for pro PMDB... Ela quer falar com você? A Dilma? A Dilma quer falar com você, não?”, pergunta Cachoeira. Demóstenes responde: “Por debaixo, mas se eu decidir ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar”.
Cachoeira se empolga: “Ah, então vai, uai, fala que vai, ela te chama lá”. Como se fosse um bom subordinado, Demóstenes acata a recomendação.
Quando esse diálogo ocorreu, no final de abril de 2011, Demóstenes estava em plena negociação com caciques do PMDB, como os senadores Renan Calheiros e José Sarney, para mudar de legenda.
Um dos maiores opositores do governo – e carrasco de petistas acusados de corrupção – tencionava aderir ao governo do PT. Segundo dirigentes do PMDB, àquela altura a mudança de partido já tinha o aval do Palácio do Planalto.
Tudo nos bastidores, porque em público Demóstenes continuava oposicionista. As gravações mostram agora que um dos objetivos da radical troca de lado era estar mais bem situado para ajudar o esquema de Cachoeira.