domingo, 1 de fevereiro de 2015

PT teme que voto secreto gere 'traições' em eleição na Câmara

Apesar de apoio oficial, parte do PDT e do PSD-RJ deve votar em Cunha.
Delgado poderá perder votos entre paulistas do PSDB, apesar de aliança.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

Foram muitas as promessas em troca de votos na eleição deste domingo (1º) para presidente da Câmara, mas a votação secreta preocupa o PT, que teme “traições” de parlamentares que oficialmente declararam apoio ao candidato do partido, o deputado Arlindo Chinaglia (SP).

Os 513 políticos deputados eleitos e reeleitos em outubro tomam posse às 10h deste domingo e, no final da tarde, vão às urnas para escolher quem comandará a Casa pelos próximos dois anos.
O principal adversário de Chinaglia é o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), que lançou o nome na disputa em novembro do ano passado e empreendeu uma agressiva campanha com viagens por todo o país em um jatinho fretado pelo partido. Também concorrem ao posto, o líder do PSB, Júlio Delgado (MG), conhecido como “candidato da oposição”, e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que faz carreira solo e só conta com o apoio do PSOL.
Até esta sexta (30), o PT obteve o apoio oficial de PCdoB, PDT, PSD e PROS.  Parlamentares ouvidos pelo G1 preveem “baixas” significativas no PSD, principalmente entre deputados de Rio de Janeiro, de parcela do PDT  e do PR, que devem votar em Eduardo Cunha.
“Eu só posso me beneficiar com traições. Alguém já viu alguém trair a amante? As pessoas traem a mulher. Eu sou a amante”, disse o peemedebista, que é desafeto da presidente Dilma Rousseff e liderou, em 2013, a criação do blocão, grupo formado por partidos da base insatisfeitos com o governo federal.
O fantasma das “traições” na eleição para presidente da Câmara ronda o PT desde 2005, quando o candidato do partido, Luís Eduardo Greenhald, perdeu para Severino Cavalcanti (PP-PE). Apesar de ter obtido o apoio formal da maioria dos partidos, Greenhald só teve 195 votos no segundo turno enquanto Cavalcanti foi eleito com 300 votos.
Temeroso de perder para Eduardo Cunha, o governo federal colocou o time de ministros em campo e ofereceu aos parlamentares cargos na Mesa Diretora e em comissões temáticas, além da liberação de emendas parlamentares - recursos que os deputados destinam no Orçamento a seus redutos eleitorais.
O PT está disposto a fazer concessões na Mesa e nas comissões para agregar o bloco. Se formos eleitos, teremos seis cargos na Mesa Diretora e a presidência de oito comissões"
Deputado José Guimarães (PT-CE)
“O PT está disposto a fazer concessões na Mesa e nas comissões para agregar o bloco. Se formos eleitos, teremos seis cargos na Mesa Diretora e a presidência de oito comissões”, disse o vice-líder do partido, José Guimarães (CE).
'Jogo pesado'
Os adversários admitem que o PT “jogou pesado” e conquistou votos na reta final. Cunha chegou a acusar o governo de “ameaçar” deputados com “retaliação” se não apoiassem Chinaglia, o que foi negado pelo ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT).“O governo não trabalha com ameaças nem compra deputados. Com esse tipo de declaração, o deputado ofende o Congresso Nacional”, rebateu.
Mas, ainda que haja algum tipo de ameaça de retaliação dos candidatos, o sigilo da votação resguarda os deputados de serem cobrados individualmente no futuro. “O líder pode até orientar a nossa bancada para votar no Arlindo Chinaglia, mas ele não garante que haverá fidelidade. O Eduardo Cunha é nosso Wladimir Putin [presidente da Rússia]. Pode falar o que quiser do Putin, mas sem ele os Estados Unidos fariam o que quisessem do mundo”, disse ao G1 um deputado do PR que não quis se identificar.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), minimiza, porém, o impacto do voto secreto no resultado. “Nós confiamos dos deputados que se comprometeram conosco e que reconhecem que a candidatura do Arlindo é a melhor no momento”, disse. Na última sexta (30), após obter o apoio do PDT, Chinaglia disse não se preocupar eventuais traições.
“Se eu for me preocupar com as estradas vicinais, eu perco. Eu tenho uma viagem longa, mais importante, é isso que estou perseguindo. Desde quando eu comecei a campanha, curtíssima, você há de convir que a própria imprensa está recuando de um suposto favoritismo [de Eduardo Cunha]”, afirmou. Mas os petistas também apostam em ganhar alguns votos de dissidência na eleição de domingo, sobretudo do PRB, partido que apoia oficialmente Eduardo Cunha.
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Tem muito deputado com quem converso que diz: ‘Eu tenho compromisso com outro candidato, mas na hora da urna, se eu votar com o coração, vai ser em você [Júlio Delgado]'"
Deputado Júlio Delgado (PSB-MG),
candidato à presidência da Câmara
PSDB
A expectativa é de que o candidato do PSB ao comando da Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG),  também perca votos com o sigilo da eleição. Delgado tem o apoio oficial de PSB, PSDB, PPS e PV. No entanto, nos bastidores, é esperado que um grupo de tucanos, principalmente da bancada de São Paulo, opte por votar em Eduardo Cunha.
O peemedebista lançou forte ofensiva na semana passada para conquistar os votos do PSDB, principalmente dos parlamentares da capital paulista. A ação chegou a gerar rumores de que o maior partido de oposição desistiria da aliança com Delgado.
Para reforçar o apoio, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, telefonou pessoalmente para colegas de legenda e das siglas que compõem o bloco de sustentação de Delgado. Na última sexta (29), após reunião em Brasília, os partidos declararam novamente que votarão no deputado do PSB.
Apesar da instabilidade gerada com os boatos, Delgado diz que pode se beneficiar com a votação secreta. Segundo ele, muitos parlamentares acreditam em seu projeto de governo, mas já firmaram acordos formais com os adversários e podem “trair” na hora da votação.
“Tem muito deputado com quem converso que diz: ‘Eu tenho compromisso com outro candidato, mas na hora da urna, se eu votar com o coração, vai ser em você'”, disse, em entrevista ao G1.
Para o parlamentar, a votação secreta garante independência aos deputados e evita que eles sejam coagidos a votar em candidatos com amplo poder de manobra. "Claro que ninguém é ingênuo a ponto de achar que não haverá dissidência nas bancadas. Mas, na nossa, haverá a menor dissidência de todas."
Votação
A sessão para eleger presidente da Câmara e membros da Mesa Diretora terá início às 18h. Cada um dos quatro candidatos  ao comando da Casa poderá discursar na tribuna para pedir apoio e apresentar propostas.

Foram distribuídas pelo plenário 14 urnas eletrônicas. Cada deputado escolherá, em uma única votação, o candidato para presidente da Câmara e para outros 10 cargos da Mesa Diretora, entre eles o de vice-presidente e 1 º secretário, que cuida das finanças da Casa.
A apuração para o cargo de presidente da Câmara é anunciada antes. A previsão é de que a contagem dos votos termine por volta das 22h. Para ser eleito em primeiro turno, é preciso obter metade mais um dos votos dos deputados presentes à sessão.
Se houver segundo turno, a apuração dos votos para os demais cargos da Mesa só é anunciada depois. Neste caso, ocorre nova votação somente para definir o presidente da Casa. A expectativa em caso de segundo turno é que o resultado só saia depois da meia-noite.
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Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

sábado, 31 de janeiro de 2015

Saiba o que está em jogo na disputa pela presidência da Câmara

Presidente da Casa é o 2º na linha sucessória do presidente da República.
Quatro deputados disputam o posto: Cunha, Chinaglia, Delgado e Alencar.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
Sesssão no plenário da Câmara, em 2014, presidida por Henrique Eduardo Alves (Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara) 
Sesssão no plenário da Câmara, em 2014, presidida por Henrique 
Eduardo Alves (Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara)

Objeto de disputa entre quatro candidatos, o posto de presidente da Câmara dos Deputados é estratégico para o governo federal por definir os projetos que irão ao plenário e ditar o ritmo de votações. Para viabilizar a governabilidade no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o PT tenta conquistar o comando da Casa e evitar que o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), alcance o posto.

Considerado desafeto de Dilma, Cunha dificultou nos últimos quatro anos a aprovação de projetos importantes para o Executivo, como a medida provisória que regulamentou o sistema portuário, e liderou a criação do chamado “blocão”, grupo formado por partidos da base insatisfeitos com o governo. Além de Cunha, disputam a presidência da Câmara os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG).

Quem for eleito, se tornará o segundo na linha de sucessão do presidente da República - assumirá o comando do Executivo na ausência de Dilma e do vice-presidente Michel Temer. Nos últimos dois anos, o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ocupou a Presidência da República em duas ocasiões, durante viagens de Dilma e Temer.
A atribuição de selecionar os projetos e propostas de emenda à Constituição que serão apreciadas em plenário é exclusiva do presidente da Câmara, após consulta a líderes partidários. Por isso, o nível de entrosamento e alinhamento ideológico com o governo federal pode facilitar ou dificultar a aprovação de programas federais que exijam o aval do Congresso Nacional.
Como é o presidente da Casa que também dita o ritmo das votações - pode acelerar ou retardar as sessões - medidas provisórias podem ser aprovadas com rapidez ou vir a “caducar” - perder a validade por demora na votação. Assim, a própria eficiência do governo federal depende fortemente da atuação do Congresso Nacional.

No caso da MP dos Portos, a atuação de Henrique Alves em prol do governo foi crucial para que a matéria não caísse por terra. Apesar da obstrução de partidos da oposição e até do PMDB, a sessão se alastrou por duas madrugadas. Na reta final, no segundo dia de votação, não havia quórum por volta das 7h para aprovar o texto final. Alves manteve a sessão aberta até que fosse alcançado o número mínimo, apesar dos protestos de críticos da MP.

Também cabe ao presidente da Câmara autorizar a criação de comissões parlamentares de inquérito, as CPIs. Uma das tarefas do futuro comandante da Casa será decidir se instala ou não uma nova CPI da Petrobras. Parlamentares da oposição coletam assinaturas para pedir a instauração do colegiado. Eduardo Cunha e Júlio Delgado já disseram que, se o requerimento pedindo a instalação reunir os requisitos técnicos, autorizarão a comissão.

Comissões
A tramitação de propostas que modificam a Constituição, as PECs, também depende do presidente da Câmara. Depois de serem aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça, as propostas de emenda à Constituição são votadas em uma comissão especial, que é criada pelo presidente da Casa.

PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA CÂMARA
Convoca e preside as sessões do plenário da Casa
Conduz as votações e suspende a sessão quando julga necessário
Determina a pauta de votação, após ouvir a sugestões dos líderes partidários
Instala Comissão Especial paraa analisar propostas de emenda à Constituição
Anuncia projetos que serão votados em caráter conclusivo por comissões, ou seja, que não precisarão ir ao plenário.
Autoriza a retirada de projetos que estejam na pauta do dia, após analisar pedido dos líderes
Preside as reuniões da Mesa Diretora, que se destinam a matérias administrativas da Casa
Assume a chefia do Executivo no caso de ausência e viagens ao exterior do presidente e vice-presidente da República.
Decide em conjunto com o presidente do Senado sobre convocação de sessão extraordinária do Congresso Nacional
Não pode apresentar proposições nem votar em plenário, somente para desempatar resultado de votação aberta.
Também caberá a quem for eleito nomear os integrantes das comissões temáticas da Câmara, após a indicação dos líderes partidários. O presidente da Casa também preside as reuniões da Mesa Diretora, onde são decididos assuntos administrativos, como regras para divisão de espaços físicos e reajuste salarial dos deputados.

Direitos
Além do poder de decisão e condução dos trabalhos da Câmara, o presidente tem alguns direitos e privilégios. Em vez de receber auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mensais ou ocupar apartamentos funcionais de cerca de R$ 200 m², o presidente da Casa ocupa uma residência oficial, no Lago Sul, área nobre de Brasília. A casa tem cerca de 800 m², amplo jardim, piscina, churrasqueira, quatro quartos, escritório e sala de jantar.

Além do próprio gabinete e 25 servidores, o presidente da Câmara ganha um gabinete institucional e pode nomear outros 47 funcionários. Possui ainda um carro oficial e dois motoristas, que se revezam no dia de serviço.

Ele pode ainda utilizar jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens oficiais ou deslocamentos até o estado de origem. As viagens em avião de carreira são pagas pela Câmara.

Candidatos
O primeiro a entrar na disputa pelo cobiçado posto foi o líder do PMDB, Eduardo Cunha, que iniciou campanha em novembro do ano passado. Com um jatinho contratado pelo partido e munido de folhetos e material de vídeo, ele tem viajado por todo o país em busca de apoio.

As condições para a candidatura foram construídas ao longo dos últimos quatro anos, quando Cunha desempenhou o papel de “defender” a independência do Legislativo em face do Executivo. Apesar de ser líder do maior partido da base aliada, dificultou a aprovação de projetos de interesse do governo e sempre que tinha a “lealdade” cobrada por governistas repetia o bordão: “O PMDB não é vassalo do governo federal”.

A atitude de Cunha gerou adesões entre os colegas, que reclamam do excesso de medidas provisórias e da falta de diálogo com a presidente Dilma Rousseff.

O ápice da insatisfação da base aliada com a presidente se deu em 2013, quando Cunha liderou a formação do “blocão”, grupo de partidos governistas que decidiu votar com “independência” em relação à orientação formal do governo. Desde então, a relação de Cunha com o Planalto vem se deteriorado e a bancada do PMDB chegou a rachar na decisão de apoiar Dilma na disputa pela reeleição.

Em votação secreta, o partido acabou optando por se aliar à presidente com os votos de 59,13% dos militantes. O descontentamento de parcela significativa do partido com a condução do governo e as promessas de maior “protagonismo” do Congresso deram a Cunha condições de disputar o comando da Câmara, apesar da forte oposição do PT.

Após mais de dois meses de campanha, o peemedebista conseguiu o apoio oficial do Solidariedade, DEM e PRB. Outras siglas governistas como o PP, o PR  e o PSC também avaliam dar aval à candidatura.

O segundo deputado a entrar na disputa pela presidência da Câmara foi Arlindo Chinaglia (PT-SP), em dezembro, após várias consultas do PT a parlamentares sobre o nome com maior possibilidade de vitória. Chinaglia já foi presidente da Câmara, no biênio 2007-2008, e exerceu a liderança do governo de 2013 a março de 2014, quando assumiu a vice-presidência da Casa após a renúncia do deputado André Vargas (sem partido-PR).

Apesar da atuação histórica de proximidade com o Planalto, o petista promete “independência” e diz que não é candidato do PT, mas sim de “todos os partidos”.  Na reta final da campanha, Chinaglia reuniu nesta quarta (28) cinco ministros e várias lideranças partidárias para propor a formação de um bloco com oito legendas.

Tanto Cunha quanto Chinaglia prometem “melhorias” aos parlamentares, como equiparar o salário dos parlamentares com o de ministros do Supremo Tribunal Federal - teto do funcionalismo público - e ampliação da estrutura da Câmara, com a construção de um novo anexo.

'Candidato da oposição'
Apelidado de “candidato da oposição”, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) lançou candidatura em dezembro depois de conseguir o apoio de PSDB, PV e PPS. Conhecido pelo bom humor e o trato cordial com colegas, Delgado já foi candidato à presidência da Casa em 2013, quando perdeu a eleição para Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Na época, apesar de não ter o apoio formal de nenhum outro partido além do PSB, ele conseguiu 165 votos. O bom resultado o incentivou a tentar novamente a eleição, agora, apoiado pelo maior partido da oposição. Como a votação para presidente da Câmara é secreta, ele aposta ainda na dissidência de parlamentares que foram orientados pelos partidos a apoiar os outros candidatos.

O deputado do PSB adota uma linha diferente de Cunha e Chinaglia e não promete aumentar salários nem ampliar gabinetes. Adota a bandeira da “verdadeira independência” do Congresso e melhoria na “imagem” do Legislativo.

O último a entrar na disputa foi deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Sem apoio de qualquer partido além do PSOL, a candidatura tem uma intenção de “protesto” e de fazer oposição aos nomes apresentados. Chico Alencar não montou estrutura de campanha e criticou os gastos dos adversários com publicidade para obter o voto dos colegas.

A principal bandeira do parlamentar é promover a “ética” no Legislativo, ampliar a conexão com a sociedade e promover a reforma política, sobretudo a proposta que acaba com o financiamento privado de campanha.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Luiz Henrique se aproxima do PSB e ganha fôlego contra Renan

Publicado em 30/01/2015 | Das agências

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Pré-candidato à Presidência do Senado, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) deu mais uma demonstração de que não pretende desistir da disputa, como deseja seu correligionário Renan Calheiros (AL), que deve tentar a reeleição ao cargo. Luiz Henrique se aproximou do PSB e sua candidatura ganhou fôlego ontem com a desistência do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) de lançar sua candidatura à presidência do Senado.

Ueslei Marcelino/ Reuters
Ueslei Marcelino/ Reuters / Prédios do Congresso: disputas pela presidência Ampliar imagem

Prédios do Congresso: disputas pela presidência
Delgado diz que não desistirá de candidatura à Câmara e anuncia bloco

Na tentativa de acabar com as especulações sobre uma possível desistência e desembarque de partidos aliados, o candidato do PSB à presidência da Câmara dos Deputados, Júlio Delgado (MG), vai começar a reunir hoje as assinaturas dos deputados do PV, PSDB, PPS e PSB para antecipar a formalização do bloco. Oficialmente, o registro dos blocos só ocorrerá no domingo, após a posse dos parlamentares.

Ao lado dos líderes do PPS, Rubens Bueno (PR), e do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), Delgado disse que a possibilidade de desistência não foi cogitada. “Não tem essa palavra no meu vocabulário neste momento”, afirmou o candidato.

Rebateu

O deputado rebateu a declaração do vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que ontem disse que o desembarque do PSDB da candidatura de Delgado era esperada. “Talvez tenha decepcionado não ter tido esse desembarque”, respondeu.

Com o respaldo dado nos últimos dias pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo senador eleito José Serra (SP), o candidato demonstrou confiança e voltou a dizer que dissidências são esperadas em todos os blocos, com exceção do candidato Chico Alencar (RJ), representante do Pol (que só tem cinco parlamentares). “A nossa dissidência será pequena”, prevê.

Estadão Conteúdo

Luiz Henrique endossou o documento do PSB “Por um Senado transparente, democrático e sintonizado com a sociedade”. O senador de Santa Catarina, de próprio punho, escreveu embaixo do documento assinado pelos seis senadores da futura bancada do PSB: “De acordo. É a minha plataforma! Luiz Henrique”. No documento, o PSB diz que está aberto a apoiar uma candidatura que se comprometa com seu programa.

Já Valadares, na sua nota de desistência, disse que alcançou “os objetivos pretendidos pelo PSB de tirar o processo de sucessão da Mesa Diretora do Senado do imobilismo em que se encontrava, da falta de transparência, e trazer esse tema para o centro do debate”.

Valadares justificou sua decisão com o argumento de que uma “nova realidade política” foi criada com o lançamento da candidatura de Luiz Henrique.

Disputa

O PMDB marcou para hoje a reunião da bancada do partido para escolher quem será o candidato da sigla para disputar a presidência do Senado, que ocorre no domingo.

Além de Luiz Henrique, o senador Renan Calheiros vai oficializar sua disposição em tentar a reeleição. Renan é candidato à reeleição desde o final do ano passado, mas nunca confirmou oficialmente que pretenda permanecer no cargo. Com a entrada de Luiz Henrique na corrida pela presidência do Senado, o grupo de Renan avalia ser necessário ao peemedebista lançar o quanto antes seu nome para não perder apoio.

A reunião estava prevista, inicialmente, para amanhã, véspera da eleição. Os apoiadores de Renan, porém, consideram que a melhor saída é antecipar em um dia o encontro para que o PMDB confirme seu apoio à sua recondução – já que a candidatura de Luiz Henrique ganha fôlego dentro do Senado.

“A candidatura do Renan vai estar posta. As peças estão jogadas. Eleição, você tem que cuidar para ganhar. O Renan fez uma grande gestão, é um político habilidoso, tem condições de ganhar”, disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Na Câmara, orçamento provoca novo embate

Folhapress

A votação do orçamento de 2015 provocou uma nova troca de acusações entre as campanhas dos deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), que disputam a presidência da Câmara Federal.

O peemedebista acusou ontem o governo de pressionar os novos deputados a votarem em Chinaglia com a promessa de liberação de recursos indicados por congressistas no orçamento que são destinados principalmente para obras em seus redutos eleitorais. O governo nega.

Cunha disse ter recebido relatos de que aliados de Chinaglia estariam distribuindo uma tabela negociando a liberação dos recursos. Apesar da crítica, o peemedebista também transformou as emendas em plataforma de campanha. Ele se comprometeu a assegurar a abertura de um crédito para que os novos deputados também tenham direito de indicar seus recursos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Câmara dos Deputados está de costas para o povo

Júlio Delgado

Júlio Delgado

Especial para o UOL
 
Neste próximo 1º de fevereiro, assumo o meu quinto mandato consecutivo como deputado federal. Sou candidato a presidente da Câmara dos Deputados com o apoio do meu partido, o PSB, do PSDB, PPS e PV. Assumo o desafio de disputar o cargo pela segunda vez porque acredito que estou apto a promover a mudança pela qual o Parlamento precisa passar para reatar o elo com a população.
Nós, deputados eleitos ou reeleitos para a 55ª legislatura, trazemos para o Congresso Nacional o sentimento de mudança que os eleitores expressaram em 2014, quando renovaram 43,5% desta casa. Individualmente, somos bem avaliados, mas a instituição da qual fazemos parte tem uma péssima imagem porque está de costas para o povo. Os meus colegas deputados devem ter sempre em mente o alerta feito pelo doutor Ulysses Guimarães, que foi um dos maiores políticos do Brasil: "Ou mudamos ou seremos mudados".
O resgate do respeito de todo o Brasil pela Câmara deve passar pela elevação do Legislativo ao mesmo patamar dos outros Poderes da República. Hoje, a pauta do Congresso é ditada pelo Executivo enquanto os projetos de lei propostos pelos parlamentares raramente chegam ao plenário da casa para votação.
Mas é o deputado que traz para Brasília os anseios e as necessidades dos seus Estados e dos eleitores. Por isso, defendo que seja estabelecido um dia por semana para a votação exclusiva de projeto de lei de autoria de deputado.

Roberto Jayme/UOL
Deputado Júlio Delgado (PSB-MG) é candidato à presidência da Câmara pela segunda vez
Proponho ainda a criação do Conselho dos Presidentes das Comissões Permanentes, que vai ficar responsável pela triagem dos projetos de lei de origem parlamentar que estão em condições de serem levados ao plenário desta casa. A Câmara deve criar a possibilidade de juntar os projetos de lei de origem parlamentar que estão tramitando na casa às Medidas Provisórias que tratam de matérias semelhantes.
O Conselho de Ética precisa ganhar o poder de convocar testemunhas. Atualmente, só é possível fazer convite para depoimento e a testemunha aceita se estiver disposta a falar. Se eu for eleito, a sociedade terá um ferrenho defensor da liberdade de imprensa e de expressão, que é um dos pilares da democracia. No que depender de mim, a população não terá a carga tributária aumentada. O brasileiro já paga muito imposto e o governo gasta mal o que arrecada.
A reforma política já pode começar a ser votada pelos itens que têm mais consenso. São eles: fim da reeleição, mandato de cinco anos e coincidência eleitoral. Em seguida, as outras propostas da matéria entrarão em pauta. Além disso, é fundamental concluirmos a votação do orçamento impositivo, mas defendo a inclusão da regra de contingenciamento proporcional para as emendas parlamentares e para as dotações orçamentárias dos ministérios.
Com a TV Câmara, que é uma conquista do Parlamento, o debate entre parlamentares ficou restrito ao grande expediente. É preciso restabelecer os apartes em todas as sessões no plenário da casa, para que o Congresso retome sua função de confrontar as ideias, não as pessoas.
A Câmara dos Deputados precisa voltar ao centro de debates dos grandes temas nacionais, moderno, transparente e com ampla participação dos cidadãos. É hora de mudar porque nós não podemos desistir do Parlamento.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Diálogo com PSDB amplia chances de Chinaglia na Câmara

24/1/2015 14:54
Por Redação - de Brasília

Chinaglia falou a um grupo de parlamentares, em um encontro no Rio
Chinaglia falou a um grupo de parlamentares, em um encontro no Rio
Ao longo das últimas horas, o panorama na campanha à Presidência da Câmara começou a mudar em favor do candidato do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), que abriu uma janela de diálogo com a Executiva Nacional do PSDB. Principal ator da oposição, no país, o partido dos tucanos aceitou discutir um possível apoio à candidatura petista.
A exposição do adversário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao envolvimento com a divulgação de um ‘grampo’ – possivelmente forjado com o objetivo de vitimizá-lo na Operação Lava-Jato – surtiu efeito reverso. Cunha, tido como favorito na corrida ao terceiro posto mais importante da República, agora perde terreno para o líder petista. Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), nesta semana, “o cenário mudou”, com o apoio do PSD à campanha de Chinaglia. O partido detém a quarta maior maior bancada da Câmara.
– Muita gente dentro e fora do parlamento não quer Cunha neste cargo – afirmou Teixeira.
Trincheiras
No 1º turno do pleito, o PSDB já confirmou que apoiará o único candidato de oposição que se lançou para a disputa, o mineiro Júlio Delgado, do PSB. Mas, em um eventual 2º turno, os tucanos ainda não fecharam posição. A conversa de Chinaglia com os líderes tucanos, segundo afirmou ao Correio do Brasil uma fonte, próxima do encontro, “foi bastante positiva”.
A iniciativa de pedir a reunião, segundo a fonte, “coube à campanha petista” e, como a expectativa é que a eleição seja decidida entre os dois candidatos da base aliada, Chinaglia foi adiante na tentativa de um cessar-fogo temporário com as trincheiras tucanas.
– Eu acredito que esta eleição não será definida pela lógica tradicional de governo versus oposição – disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) a jornalistas..
Segundo afirmou, há um sentimento generalizado de nenhum deputado, independente do seu partido ser da situação ou da oposição, deve contribuir para o risco de que um representante dado a práticas pouco republicanas acabe mergulhando o parlamento em uma crise.
– Eduardo Cunha já vem sofrendo desgaste justamente pelo seu estilo de bater em todo mundo. Ele já atacou Arlindo e seu filho, o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, a Polícia Federal e, agora, dispara contra o Fontana (deputado Henrique Fontana, líder do governo na Câmara) – enumera.
Para Teixeira, Cunha utilizou na campanha o raciocínio de cooptação dos deputados, enquanto Chinaglia preferiu dialogar com todo mundo. Com isso, o peemedebista acabou desgastado.
– Cunha já sentiu que o jogo virou. Por isso, tá batendo pra todo lado – concluiu.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Eduardo Cunha se complica após possível falso ‘grampo’ da PF

22/1/2015 12:47
Por Redação - de Brasília

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha
O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha concorre à Presidência da Casa
Naufraga a boia à qual o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) agarrou-se, na esperança de sair do foco de suspeitas em que foi lançado na Operação Lava Jato. Às vésperas das eleições para a Presidência da Mesa, na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal reage ao factoide de uma gravação atribuída a delegados federais, na qual ele é citado como chefe de um esquema mafioso.
Segundo o jornalista Fernando Brito, editor do blog político Tijolaço – um dos mais acessados do país – “o deputado Eduardo Cunha anunciou que um áudio ‘grampeado’ estaria sendo preparado para incriminá-lo nos casos de corrupção da turma do Paulo Roberto Cunha e Alberto Yousseff”.
“Quem o escutar verá que tem toda a pinta de armação, mesmo, pois os personagens falam de forma inverossímil. De qualquer forma, será fácil identificar a origem, tanto da gravação quanto das vozes que ela registra, se o deputado informar quem lhe passou a ‘muamba’ policial. (…) A gravação parece seguir um roteiro ‘encomendado’ para se mostrar mesmo uma armação. O que existe contra o deputado é a confissão, com todas formalidades a legitimá-la, de um policial federal que admite que fazia entregas de dinheiro a políticos e empreiteiros. E a favor do deputado a declaração do advogado de Yousseff que sempre se apressa a negar qualquer detalhe que envolva políticos que fazem oposição ao Governo, mas que é esquivo e concorda, silenciosamente, com qualquer menção a governistas”, afirma o jornalista.
A possível peça de ficção estabeleceu a guerra entre os rivais Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Cunha. A campanha petista tratou de mostrar que o adversário se fazia de vítima e, segundo o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), trata-se de um fato “inaceitável” a armação supostamente orquestrada pela PF, a mando do governo, com o objetivo de constranger sua candidatura:
– É tanto quanto incompreensível a fala dele. Se essa gravação é falsa, ele deve colocar uma denúncia dizendo isso, mas não criar outra falsa acusação. Chamar a imprensa para acusar o governo e a Polícia Federal de estarem forjando para interferir no resultado da eleição é algo inaceitável – afirmou Fontana, a jornalistas.
O parlamentar gaúcho considerou “erro” de Cunha veicular o assunto em meio à disputa pela Presidência da Câmara, principalmente, porque o nome dele já havia surgido nas investigações do esquema de propina conduzido por Yousseff. Na antevéspera, Eduardo Cunha distribuiu à imprensa CDs com cópias do áudio que simula uma conversa entre uma pessoa que supostamente conhece o deputado com outra se passava por um policial.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos coordenadores da campanha de Chinaglia, escreveu em sua página no Twitter que foi uma tentativa de Cunha de criar um factoide. Da outra parte, a campanha de Cunha diz que tudo não passa de uma armação de grupos que querem eleger o petista e atribui os atos aos mesmos “aloprados” que agiram durante o governo Lula.
– Eduardo Cunha, sentindo a derrota para a Presidência da Câmara, inventa um factoide, e atira-se na área para cavar um pênalti – compara Teixeira.
O deputado Eduardo Cunha, na sequencia dos fatos, relata que conversou por telefone, na véspera, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava em Madrid, a convite do governo Espanhol. Ele garantiu que o irá encontrar, na próxima terça-feira, para tratar da gravação.
– Quero essa investigação, mesmo que ela somente seja concluída depois da eleição da Mesa Diretora – diz o peemedebista.
Cunha, segundo afirmaram coordenadores da campanha petista, tenta se adiantar a possíveis denúncias deverão surgir nos próximos dias, por parte do Ministério Público, dentro da Operação Lava-Jato.
Segundo o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), o que ainda sustenta a campanha de Cunha “é o dinheiro”.
– Politicamente, a campanha de Eduardo Cunha não se sustenta. O que o mantém no páreo é o pagamento das despesas de campanha de muitos deputados, em troca do apoio deles à sua candidatura – concluiu.