terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Lava Jato paira sobre Eduardo Cunha e mais 16 membros do novo Congresso

Por Marcel Frota e Wilson Lima (iG Brasília) | - Atualizada às

Governistas esperam que investigações reduzam poder do novo presidente da Câmara; se confirmadas, listas com supostos envolvidos podem ter mais impacto no Senado

Embora o governo busque minimizar no discurso a disputa que colocou o PT contra o PMDB na disputa pela Câmara passada a eleição, congressistas ligados ao governo afirmam, um dia depois da derrota, acreditar que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) terá muita dificuldade pela frente por causa da Operação Lava Jato, da Poícia Federal. O dia da verdade para o novo Congresso pode vir somente depois do carnaval, quando deverá ser divulgada a lista de parlamentares envolvidos com o suposto esquema de desvios na Petrobras. Entre os nomes que já apareceram nas investigações, há 16 outros membros da nova legislatura, além de Cunha, todos empenhados até agora em negar as acusações. Desses, 15 pertencem à base e um à oposição.
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Governistas torcem por um impacto na direção de Cunha, mas, para a oposicionistas, é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, quem tem mais risco de ter seu mandato abreviado. Apesar das denúncias relacionadas à Operação Lava Jato, deputados e senadores inicialmente citados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) apostam na fragilidade das provas levantadas até o momento para evitar sobressaltos. 
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No caso específico do presidente da Câmara, o iG apurou que ele já monta uma espécie de operação-abafa junto com os demais parlamentares que já foram citados na Lava Jato. Além disso, a própria defesa de Cunha acredita que ele não deve ser totalmente atingido pelas revelações tanto do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, quanto do doleiro Alberto Youssef. No entanto, mesmo com essa citação, Cunha já trabalha nos bastidores para que eventuais denúncias não recaiam sobre ele. Tanto que ele defende a reinstalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Petrobras justamente por entender que existem outros parlamentares em situação muito mais complexa que a dele. 
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É na fragilidade de provas que a oposição aposta ao tratar do tema. Esse grupo tem dito achar muito pouco provável que algo realmente substancial possa atingir Cunha. Do lado petista, entretanto, a convicção é de que Cunha será sim afetado pelas investigações da Polícia Federal e isso poderia lhe custar a presidência recém-conquistada. De acordo com o regimento interno da Câmara, se Cunha deixar a presidência por qualquer motivo até o dia 30 de novembro de 2016, uma nova eleição será realizada no prazo de cinco sessões a partir de sua saída.
Além de Cunha, outros cinco deputados federais da atual legislatura já foram citados como beneficiários do esquema de Youssef. Entre os que são apontados como beneficiários e cujas provas estão sendo levantadas está Nelson Meurer (PP-PR). O nome de Meurer aparece em uma planilha eletrônica do grupo de Youssef, encontrado pelos policiais federias em um posto de gasolina de Brasília, o Posto da Torre, tido como uma espécie de “caixa eletrônico” que disponibilizava recursos a políticos.
Cunha viu seu nome envolvido na operação da Polícia Federal, que apura a formação de um cartel entre empreeiteiras com o obejtivo de desviar dinheiro da estatal para supostamente abastercer o caixa de diversos partidos, no auge da disputa pela presidência da Câmara. Ele foi citado como beneficiário do esquema de recebimento de propina da Petrobras, mas os depoimentos do agente da Polícia Federal, Jayme Alves de Oliveira Filho, o “Careca”, afirmam apenas que foi entregue um envelope em uma casa que ele “achava ser de Eduardo Cunha”. O próprio advogado de Youssef chegou a negar que o doleiro tivesse contato com Cunha ou mandado dinheiro ao agora presidente da Câmara.
Careca era funcionário de Youssef, operador dos supostos desvios na Petrobrás. Cunha chegou a comparar a acusação à atuação de petistas que, durante a eleição de 2006, foram detidos enquanto tentavam comprar um dossiê para incriminar o então candidato a governador de São Paulo José Serra (PSDB), no que ficou conhecido como escândalo dos aloprados. Em sua defesa, no entanto, o agente negou ser um emissário de Youssef e disse que era apenas um segurança particular do doleiro. Careca confirmou na sua defesa que chegou a entregar envelopes a algumas pessoas, mas não citou especificamente o atual presidente da Câmara dos Deputados.
Lilian Pinheiro visita o pai, Leo Pinheiro (presidente da OAS), em carceragem da PF, em janeiro. Foto: Futura Press
Amigos e familiares do lobista Fernando Baiano o visitam em carceragem da PF em Curitiba (PR), em 21 de janeiro. Foto: Futura Press
Roberto Brzezinski Neto, representante do escritório que defende Renato Duque na Operação Lava Jato, em janeiro. Foto: Futura Press
Procurador Deltan Dallagnol explica como era feita esquema de propina na Petrobras, em coletiva realiazada em Curitiba (PR), no dia 11 de dezembro. Foto: Futura Press
O advogado da Queiroz Galvão, José Luiz de Oliveira Neto, em entrevista em novembro. Foto: Futura Press
Sede do Ministério Público Federal, que investiga os desvios na Petrobras. Foto: Futura Press
Suspeito de ligação com Alberto Yousseff, Adarico Negromonte é preso pela PF, em novembro. Foto: Futura Press
Viatura da Receita Federal deixa prédio da construtora Camargo Correia durante operação Lava Jato, em 14 de novembro. Foto: Futura Press
Malotes com documentos de detidos na Operação Lava Jato apreendidos pela PF em 14 de novembro . Foto: Futura Press
Presidente da construtora UTC, Ricardo Pessoa, é preso pela PF em 14 de novembro de 2014. Foto: Futura Press
Polícia Federal vasculha sede da OAS, uma das envolvidas em esquemas de propinas da Lava Jato, em novembro de 2014. Foto: Futura Press
Funcionário manuseia obras de artistas brasileiros apreendidas pela PF na Operação Lava Jato, em 16 de maio. Foto: Futura Press
PF apreende farta quantia de reais e dólares no Rio de Janeiro, em 17 de março. Foto: Divulgação/Polícia Federal
PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em cofre na cidade de Londrina, no Paraná. Foto: Divulgação/Polícia Federal
Entre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos. Foto: Divulgação
São cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas. Foto: Divulgação
Carro de luxo apreendido pela PF. Foto: Divulgação
Entre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná. Foto: Divulgação/PF
Posto de combustível no DF onde foram feitas apreensões. Foto: Divulgação/PF
Operação Lava Jato da Polícia Federal. Foto: Divulgação
Doleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014. Foto: Jeso Carneiro/Agência Senado
Lilian Pinheiro visita o pai, Leo Pinheiro (presidente da OAS), em carceragem da PF, em janeiro. Foto: Futura Press
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Senado
No Senado, a situação é um pouco mais complicada porque pelo menos 11 congressistas já foram citados. E as provas contra eles, conforme informações de fontes ligadas às investigações da Lava Jato, são mais consistentes. Entre os citados, estão o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Ainda assim, no Senado, os citados também apostam na falta de provas apresentadas até agora para manter-se em seus respectivos cargos.
Renan, conforme as investigações, é apontado como mentor de um acordo com Youssef para que o  doleiro comprasse ativos no valor de R$ 50 milhões de um fundo de pensão dos Correios, controlado pelo PMDB e PT. O presidente do Senado nega, afirmando que mantém “apenas negócios republicanos” com membros da Petrobras ou outras estatais. Já Collor é apontado como pessoa que recebeu recursos diretamente do Posto da Torre, por meio de emissários. O ex-presidente da República nega.
Antes de lançar sua candidatura ao Senado com o aval do Planalto, Renan teve de esperar até o último momento justamente sob a perspectiva de que seu nome pudesse ser envolvido no esquema investigado pela Polícia Federal na Lava Jato. Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, foi indicação de Renan. Em 2003, ele assumiu a direção da empresa, que é subsidiária da Petrobras nas áreas de produção, refino e distribuição. Em depoimento na Justiça, Costa afirmou ter entregue R$ 500 mil a Machado. No dia 3 de novembro, Machado pediu afastamento do cargo e disse em nota que é “vítima de imputações caluniosas feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa”.
Com ligações até aqui mais substanciais com supostos envolvidos no esquema, Renan é apontado por parlamentares da oposição como um alvo muito mais provável de estragos da Lava Jato no Congresso do que Cunha. Só que ao contrário de seu análogo da Câmara, Renan conta com o apoio do Planalto. De forma semelhante ao que ocorre na Câmara, no Senado, se o presidente for afastado do cargo, uma nova eleição será realizada para selecionar seu substituto. 
Deputados com mandato citados na Lava Jato
Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Vander Loubet (PT-MS)
José Otávio Germano (PP-RS)
Luiz Fernando Faria (PP-MG)
Nelson Meurer (PP-PR)
Simão Sessim (PP-RJ) 
Senadores com mandato citados na Lava Jato
Delcídio Amaral (PT-MS)
Gleisi Hoffman (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Antônio Anastasia (PSDB-MG)
Fernando Collor (PTB-AL)
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